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domingo, 13 de março de 2016

Análise de Rotas e álbum de fotos - I Etapa Campeonato Paraibano de Orientação.

Olá, estimados orientistas \o/

No dia 06 de março estivemos na I Etapa do Campeonato Paraibano de Orientação. A prova ocorreu próximo à Praia de Coqueirinho, no município de Conde-PB.
Como de praxe, foram mais de 400 competidores inscritos. A maioria deles do próprio estado da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Pela proximidade geográfica, tanto o CPO quanto o CiPOr (Circuito Potiguar de Orientação) são excelentes e bem aproveitadas oportunidades para estes atletas praticarem a Orientação. E o convite é sempre estendido a todos os orientistas do Brasil. Assim como nós fizemos, mesclando a oportunidade de aprendizado e prática da modalidade com o turismo que a região oferece.
Esta etapa, além de abrir o calendário paraibano de 2016, foi o palco de homenagens às orientistas, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Uma linda festa, com participação de ícones da orientação feminina brasileira. 

Quanto à organização da etapa, são destaques positivos: a arena do evento (no condomínio Coqueirinho Privê), que ofereceu o conforto necessário pré e pós prova; a boa oferta de hidratação na pista de provas; a oferta de suco, água e frutas à vontade na arena;  e os boletins e informativos. Já os aspectos negativos que pontuamos são: a divergência de informações sobre o procedimento de largada e horários; e o posicionamento das frutas e hidratação, muito longe da linha de chegada.


Nossa ideia inicial era de efetuar um bom registro fotográfico e compartilhar com vocês. Mas o desgaste físico para completar o percurso (vejam a Análise de Rotas) frustrou os planos. Portanto,  ficará para uma próxima oportunidade fotografar os paraibanos em atividade. Mas temos um álbum de fotos com imagens da cerimônia de abertura e da pré-partida. Clique aqui e veja se você foi flagrado!

Aqui deixamos nossos agradecimentos a toda comunidade orientista que esteve presente nesta etapa, pela acolhida e bom tratamento. Fica nosso abraço especial ao Jeremias Queiroga, Waldson Estrela,  João Pedro, Copertino e todos aqueles com os quais conseguimos conversar.

O papo está bom, mas vamos à nossa análise de rotas, pois o bom orientista transforma cada percurso num capítulo da sua enciclopédia de vida!


Esta etapa é uma daquelas para se guardar na memória. O campo de provas foi desafiador, sem monotonia. Vegetação e relevo com boas variações. Sol forte. Percursos com bons traçados e boas opções de escolha de rotas. Pelo estilo da área, dificilmente seria possível manter o máximo de 20% de margem de desvio sobre a linha vermelha. Notem que em várias rotas o percentual de desvio foi acima de 100%, ou seja, mais que o dobro da distância em linha reta. Estimo que, não fossem os erros cometidos, terminaria a prova em 54' abaixo dos 153' gastos. A distância percorrida nos erros foi demasiada, causando, também, enorme desgaste físico e mental. Erro de interpretação de simbologia, briga com o mapa e ausência de respeito à vegetação diferenciada foram aspectos de importante influência nos destaques dessa análise.


A metodologia é a mesma adotada em todas as nossas análises. Buscamos responder a três perguntas básicas em cada rota destacada: "o que planejei?", "o que fiz?" e "como deveria ter feito?". Para visualizar em tamanho ampliado, basta clicar sobre a imagem escolhida.

Aqui o mapa da H21E:


 E aqui o mapa com meu (péssimo) percurso:


Em vermelho as partes do percurso nas quais minha velocidade foi acima dos 8' de pace (tempo gasto para percorrer 1 km). Em verde as partes onde consegui desenvolver boa velocidade.

Rota do Ponto 3 para o Ponto 4

O que planejei: seguir no azimute aproveitando as clareiras e áreas de mata aberta.
O que fiz: cometi um erro na saída do ponto 3, navegando por outra área de clareiras mais à esquerda da rota inicialmente planejada. Para corrigir, voltei à estrada para azimutar novamente pelo ponto 3.
O que deveria ter feito: atenção na saída do ponto e seguir conforme planejado inicialmente. Observem que a correção foi lenta e, por segurança, optei por voltar ao ponto 3. Foram praticamente 10' e 500m além do necessário.

Rota do Ponto 6 para o Ponto 7


O que planejei: contornar a plantação de bambu e efetuar a contagem das "ruas" para atacar o ponto.
O que fiz: segui conforme o planejado, atacando a partir da quinta "rua". Ao não atingir o ponto, percorri mais alguns metros e voltei, saindo da plantação pelo lado direito. Efetuei nova entrada sem atingir a distância necessária. Saí novamente pela estrada lateral, voltei à esquina e contei distância utilizando uma via lateral como ponto de ataque. Passei novamente do ponto mas a correção desta vez foi a contento.
O que deveria ter feito: atentar para a simbologia (área de cultivo com sentido definido) e efetuar a contagem de distância. A falta de referências não permitia outra ação que não a definição do ponto de ataque e a técnica de azimute e distância. Foram mais de 8' e 900m além do necessário. Há essa altura já havia, naturalmente, uma auto-avaliação extremamente negativa. Também, os 18' perdidos provavelmente incidiriam num esforço maior para recuperar posições.

Rota do Ponto 9 para o Ponto 10


O que planejei: sair do ponto 8 no azimute até a estrada. Efetuar contagem de passos para o ponto de ataque. Azimutar novamente efetuando a contagem de passos e fazer a aproximação lenta no ponto. Utilizar a próxima estrada como linha de segurança.
O que fiz: segui conforme o planejado, passando próximo ao ponto. Dessa vez a atenção e os princípios básicos foram respeitados, mas ainda assim foi necessário sair e buscar novo ponto de ataque.
Como deveria ter feito: o planejamento inicial estava adequado. Outra possibilidade seria seguir direto para o ponto de água após o ponto e de lá efetuar o azimute. Foram 4' e 200m aproximados de perda.

Rota do Ponto 12 para o Ponto 13


O que planejei: seguir pelas estradas até o barranco nas proximidades do ponto 13. Utilizar o barranco como ponto de ataque e azimutar contando a distância. Utilizar a orientação fina na região pedregosa do ponto.
O que fiz: segui conforme planejado até o barranco, mas efetuei o azimute de maneira despretenciosa. A área é de grande inclinação. Ao chegar na região pedregosa e não encontrar o ponto, passei a efetuar uma varredura sem muita precisão, até voltar novamente ao ponto de ataque inicial, atacar com desvio proposital para o lado esquerdo e, com mais concentração, encontrar o ponto.
O que deveria ter feito: com mais confiança, deveria ter feito uma rota mais próxima à linha vermelha, já que as dificuldades da progressão pela área cultivada já era de meu conhecimento. O ponto de ataque era o definido no planejamento inicial. Acima do ponto 17 havia um ótimo corredor na vegetação que tornaria muito fácil a progressão, bastando pegar a estrada ao seu final e seguir pela esquerda. Provavelmente a fadiga e a falta de confiança ofuscaram a possibilidade de enxergar esta excelente alternativa. Foram 22' e mais de 1600m gastos para encontrar o ponto. Aproximadamente 15' acima do melhor tempo para esta rota. 

Rota do Ponto 18 para o Ponto 19


O que planejei: seguir pela estrada e atacar pela entrada da vegetação que permitia progressão.
O que fiz: segui conforme o planejado, mas ataquei o ponto algumas dezenas de metros antes do correto. Para corrigir, segui até a estrada para confirmar o ponto de entrada.
O que deveria ter feito: contagem da distância e utilizar a clareira à esquerda da estrada como ponto de checagem. 

Os resultados, disponíveis no sítio Helga-O permitem, ainda, avaliar os tempos parciais. Abaixo o gráfico do SplitsBrowser com meu tempo e dos três primeiros. Notem que logo no início (ponto 4) já perdi posições e a recuperação seria possível, caso não perdesse tempo nos demais pontos (o que, infelizmente, não ocorreu).

Os pontos 4, 7, 8 e 13 foram os determinantes para este tempo tão alto.
Tempo do vencedor: 88'
Meu tempo: 153'
Distância total percorrida: 14km
Distância estimada sem os erros e conforme planejamentos das rotas: 11km

Principais lições desta análise: não subestime uma corrida de orientação; não discuta com o mapa; mantenha a concentração enquanto estiver na pista; diminua a velocidade ao chegar no ponto de ataque escolhido; e nunca deixe de fazer contagem de passos.

Nosso próximo desafio será a I Etapa do Campeonato de Orientação do DF, também num mapa H21E.

Tem alguma crítica ou comentário sobre esta análise e sobre a etapa do CPO? Utilize o campo de comentários abaixo, e nos ajude a melhorar nossos textos.

Boas rotas \o/
orientistaemrota





quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Participamos do Campeonato Paraibano de Orientação - IV Etapa - Campina Grande-PB

Olá, estimados orientistas.

No dia 13 de setembro estivemos em Campina Grande, distante 110km da capital da Paraíba, João Pessoa.

Nossa viagem não foi somente para visitar as praias da região. Nosso objetivo foi unir o turismo à Corrida de Orientação. O planejamento foi simples: observar o calendário de competições da FOP e efetuar a compra das passagens de forma a conciliar os passeios com a prova em si.
Praia de Cabedelo

Vocês podem estar se perguntando: e por que escolheram uma etapa do campeonato paraibano?
A resposta é igualmente simples: o campeonato paraibano é um dos torneios de maior público na orientação brasileira. Só nesta IV etapa, foram mais de 400 inscritos. O sucesso de público chama a atenção. Basta comparar com os números de inscritos nos campeonatos nos quais você, leitor orientista, participa.

A inscrição foi efetuada conforme boletim divulgado no sítio eletrônico da FOP, sendo necessário solicitar por email a ficha de inscrição. A partir daí, aguardamos a data da viagem e partimos rumo a João Pessoa, carinhosamente apelidada de “Jampa”.
Vida de turista na sexta e sábado, com direito a uma corridinha na praia para soltar a musculatura. O passo seguinte foi aguardar até domingo pela manhã e partir rumo a Campina Grande.
Já no trajeto percebemos a beleza da região. Claramente saltaram aos olhos as formações rochosas, muito parecidas com as encontradas em algumas regiões de Portugal e Alemanha.


A quantidade de participantes é algo que merece destaque. Também ficou evidente o clima de congraçamento entre os presentes. No dia da prova, por exemplo, foi comemorado o aniversário do João Pedro Mazzaro, o Pepeu. O bolo, com decoração alusiva à Corrida de Orientação, foi degustado antes das nossas fotos ;-)
Aparentemente, os orientistas tanto do Rio Grande do Norte quanto da Paraíba aproveitam as oportunidades e participam consorciando tanto o Campeonato Paraibano quanto o Campeonato Potiguar de Orientação. Uma forma bastante interessante de aprimorar as habilidades do orientista e prestigiar os colegas vizinhos. Tal modelo ocorre em outros cantos do país, como nas provas do Distrito Federal e de Goiás.



O Campeonato Paraibano de Orientação possui uma bela parceria com o SESI local. Trata-se do projeto SESI Atletas do Futuro. Para saber mais, clique aqui.





Quanto à prova em si, vale tecer alguns comentários, com o objetivo de aquecer um debate sobre como tornar as competições mais seguras e agradáveis, sem perder o caráter de disputa. O primeiro deles diz respeito à existência de muitos espinhos e urtigas. A foto abaixo é de uma camiseta pós-prova, e depois de retirada grande parte dos espinhos.

Vários atletas tiveram que atravessar áreas com este tipo de vegetação (a planta em questão é a Bidens Pilosa, popularmente conhecida por picão-preto ou carrapicho-agulha, entre outros). Uma situação extremamente incômoda e que percebemos existir em outras regiões. A camiseta da foto e a calça utilizadas estão aposentadas, pois água quente ou deixar de molho não foram receitas suficientes (se alguém tiver um macete mais simples que a retirada individual dos espinhos, comente aqui ;-) ).
Picão-preto - Bidens Pilosa L.
Já em relação às urtigas, houve alerta em boletim frisando a existência deste tipo de vegetação. Ponto positivo \o/ Pena que não havia a demarcação no mapa.
O segundo ponto diz respeito às áreas do campo de prova que eram de difícil transposição, mas que foram legendadas como 401, 402 ou 403. Também a definição de quais trilhas apareceriam nos mapas não proporcionou um entendimento rápido. Mas este comentário em nada desabona a organização, pois em uma única prova não temos parâmetros suficientes para tornar justa uma avaliação de possíveis falhas.
Em alguns mapas de competições em outras localidades, os organizadores delimitam estas áreas com legenda de local de perigo (710), tal qual em áreas que possuem abelhas. Vale avaliar quais os impactos deste tipo de demarcação nos mapas. Outra alternativa pode ser a não realização de provas nas épocas de maior incidência de condições danosas causadas por determinadas plantas.
Conhecendo as reais dificuldades do campo de provas, a atividade de encontrar os prismas torna-se mais agradável, pois nosso esporte é calcado no poder de decisão do próprio competidor.
Mas essa sugestão em mapa é assunto para debate com os colegas mais experientes, quiçá num congresso técnico científico.




Em que pesem os espinhos trazidos na bagagem, o saldo foi extremamente positivo. Ver o quanto este esporte está crescendo fora do eixo sul, poder aliar a modalidade com o turismo, perceber as dificuldades de terreno e vegetação tanto para organizadores quanto para competidores e, melhor ainda, ter a oportunidade de refletir sobre como tornar a Corrida de Orientação mais atrativa, são só alguns dos pontos de destaque que essa viagem de orientista pode proporcionar.

Aqui um pequeno vídeo para que vocês possam "sentir o clima" de uma etapa do Campeonato Paraibano de Orientação (https://youtu.be/HH0WAhWp7jA ):

Agradecemos imensamente a acolhida dos organizadores do evento e recomendamos aos colegas de outros estados que, quando desejarem visitar as praias do nordeste, em especial da Paraíba e do Rio Grande do Norte, verifiquem a possibilidade de conciliação da sua viagem com as competições previstas no calendário da Federação de Orientação da Paraíba.

Para saber mais: http://www.orientacaoparaiba.com.br

Boas rotas \o/
orientistaemrota