segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

COPANE 2018 - Análise de rotas sprint e percurso longo

Olá, estimados orientistas.

Vamos iniciar o 2019 conversando sobre a última grande competição nacional de 2018 - a Copa Nordeste de Orientação. Dessa vez, o evento foi sediado na vila turística de Porto de Galinhas, pertencente a Ipojuca, no estado de Pernambuco.
Mais uma vez, a organização da COPANE atendeu as expectativas dos quase 400 competidores inscritos: sede do evento repleta de atrações turísticas, informações claras, oferta de festa de confraternização, sprint noturno, locais das provas médio e longo bem próximos à sede.
Alguns aspectos relevantes, na minha visão, foram: colocação errada do ponto 131 no sprint noturno; simbologia utilizada em algumas áreas dos percursos tradicionais, as quais poderiam indicar menor velocidade de progressão; e traçados de alguns percursos A tradicionais tiveram os melhores tempos muito acima do estimado. Entretanto, essas situações não comprometeram a grandeza da COPANE.

Para a análise de rotas, vamos versar sobre minhas escolhas na categoria HMA. Lembrando a todos que minha meta tem sido percorrer um mapa sprint em velocidade média abaixo de 5´/km e, nos percursos tradicionais, percorrer até 20% acima da distância da linha vermelha, num pace de até 7´/km.
Na prova de sprint não tive dificuldades. Salvo alguns segundos perdidos no ataque ao ponto 131. Alguns competidores fizeram uma rota diferente e provavelmente gastaram menos tempo que eu. Observando os gráficos de posição após pernada, disponíveis no Helga-O, fica fácil perceber que meu ritmo médio foi ajudado pelas falhas dos rivais. No ponto 6 perdi a liderança para Valker Santos e no ponto 7 perdi o segundo lugar para Lucas Silva, o qual perdeu mais de 3 minutos no ponto 8, ficando de fora da disputa. Retomei a liderança no ponto 10, quando Valker amargou um prejuízo de mais de 1´15".


Abaixo o mapa com minhas escolhas:
Em vermelho os trechos de menor velocidade, e em azul os mais rápidos (pace abaixo de 4´30"/km).
Recentemente conversei com o orientista Vascurado, o qual me perguntou sobre condições para melhoria de desempenho nas provas tipo sprint. Eu tenho adotado alguns princípios básicos. Dentre eles: traçar rotas limpas, com menos mudanças de direção; fazer exercícios mentais de leitura de mapas; e comparar rotas com outros competidores.
Notem que minha saída do ponto 6 em direção ao ponto 7 foi bastante lenta. Provavelmente devido ao cansaço e ao desafio de leitura imposto pelo traçador.
A distância total percorrida foi de 2,8km. E o pace médio foi de 4´54". Se contarmos os menores tempos de cada pernada no geral, o vencedor terminaria a prova em 12´13" aproximadamente.

Agora vamos ver as causas do péssimo desempenho que tive nas provas tradicionais. A começar pelo percurso longo. Abaixo o mapa com minhas escolhas:
Rota do triangulo para o ponto 1
O que planejei: pegar a trilha à direita, pegando a estrada que levaria direto ao ponto 1.
O que fiz: larguei atrasado, sendo devidamente penalizado. Na pressa, segui um outro competidor o qual ignorou o acesso da trilha e passou pelo bordo esquerdo da vegetação. O "encarneiramento" foi corrigido ao encontrar a estrada conforme planejado inicialmente.
O que deveria ter feito: seguir conforme o planejado.

Rota do ponto 4 para o ponto 5
O que planejei: atravessar a vegetação em direção à estrada e atacar o ponto após passar o barranco.
O que fiz: segui conforme o planejado até chegar na estrada. Mas errei o ponto de ataque e acabei subindo antes do barranco mapeado. Para corrigir, tendo a noção de que havia entrado antes, segui em frente buscando o acidente de relevo. Observem que todo o percurso nesta rota está em vermelho, significando que foi uma transposição bastante lenta. Na rota, havia muito capim navalha e área alagada, merecendo, na minha opinião, uma simbologia diferente do que foi plotado no mapa.

Rota do ponto 5 para o ponto 6
O que planejei: sair do ponto 5 pela linha vermelha buscando a trilha. Contornar a elevação e atacar o ponto alguns metros antes da trilha iniciada pela árvore caída. Diminuir a velocidade em azimute. 
O que fiz: saí do ponto 5 na direção errada, corrigindo em seguida. Contornei a elevação pela trilha conforme planejado. Ao buscar a trilha em a área branca, tive dúvidas devido à posição do ponto de água. Retornei em seguida. Passei pela árvore caída e segui até o final da trilha em área branca. Ataquei o ponto a partir daí, não obtendo êxito. Voltei para a trilha e efetuei novo ataque, dessa vez a partir do barranco no encontro das trilhas. Mais uma vez o ataque foi ineficaz. Como já havia perdido muito tempo e a área estava com muitos outros orientistas buscando o mesmo ponto, voltei para a trilha e decidi contornar a elevação e atacar o ponto por cima. Dessa vez alcancei o ponto.
A distância em linha reta para essa rota era de aproximadamente 500m. Percorri pouco mais de 2km em quase 35 minutos.
O que deveria ter feito: o planejamento estava adequado. Embora eu tenha ficado com dúvidas sobre a posição do ponto e os acidentes de relevo mapeados. O ataque por cima foi bem fácil, podendo ser essa a provável melhor opção.
Abaixo as imagens, pela ordem, do que fiz, e as duas sugestões de melhor rota:

Esses não foram os únicos erros cometidos, mas foram os fundamentais para meu resultado final.
A distância total percorrida foi de pouco mais de 10km. O mapa em linha reta tinha 6km. Portanto, fiquei bem longe da meta, pois percorri 70% a mais que a distância mais curta. Tudo isso em 2h08min.
Ficaram as lições. Abaixo uma animação com minhas escolhas, para que tenham melhor noção do que fiz.

Vamos parar por aqui nossa análise de rotas.
Aproveitem e acessem nosso álbum de fotos, que possui a colaboração de várias pessoas que fizeram parte dessa bela festa esportiva. Clique aqui.
Utilizem o campo de comentários abaixo para expor suas opiniões e ajudar tanto o blog quanto os demais leitores.

Boas rotas \o/
orientistaemrota

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Final do CamGOr 2018 - análise de rotas para não repetir esses erros

Olá, estimados orientistas. 

O papo de hoje é sobre uma prova que considero inesquecível. Inesquecível não pelo resultado final, mas por erros que cometi e que quero me lembrar deles sempre. Assim, espero não repetí-los. Também intenciono, da forma mais didática possível, que todos vocês aprimorem sua técnica observando minha experiência. 

Antes de mais nada, gostaria de deixar aqui meus comentários sobre essa terceira e última etapa do Campeonato Goiano de Orientação – CamGOr 2018. Participo desse torneio pois possuo dupla filiação (FODF e FGO). A etapa serviu para definir o ranking geral e foi precedida da Assembleia Geral da FGO. 
O local escolhido oferecia boa estrutura para os atletas e seus acompanhantes. Além disso, o terreno bem variado, juntamente com os percursos bem traçados e as lindas paisagens, proporcionaram uma ótima disputa. Mesmo com a chuva insistente, foi muito agradável praticar a corrida de Orientação nessa etapa. 

Vamos à nossa análise de rotas. Vou expor aqui somente aquelas escolhas que considero de maior influencia no meu desempenho. Observem a baixo o mapa da minha categoria, a HMA. 

Meu objetivo em toda prova tradicional (de floresta) é percorrer uma distância extra de até 20% além da distância do mapa, num pace de até 7’/km. Como o mapa possuía 5,9 km, o objetivo seria alcançado caso eu o completasse percorrendo até 7,08km. O tempo máximo ideal seria, portanto, de pouco mais de 49’. De antemão já adianto que o vencedor da prova (Valker, Idesp-Dourados) precisou de 45’ para completar todo o percurso. 
Abaixo o mapa com minhas escolhas (em amarelo e vermelho os trechos onde fui mais lento):

Como metodologia, vou apresentar aqui, para cada rota analisada, o que planejei, o que fiz e, eventualmente, o que deveria ter feito. 
Rota da partida para o ponto 1 
O que planejei: sair em azimute até as cercas. Dali, buscar a trilha à esquerda do ponto e atacá-lo. 
O que fiz: segui conforme planejado até a segunda cerca. Depois, busquei a trilha mas percebi que não era a melhor escolha. Segui pela direita até a clareira onde estava o ponto. 

O que deveria ter feito: seguir em azimute até a segunda cerca e atacar o ponto pela direita, buscando a clareira. A escolha inicial pela trilha à esquerda apresentava maior dificuldade por dois fatores – encontrar a entrada da trilha e atacar com precisão atravessando a vegetação. 
Rota do ponto 6 para o ponto 7 
O que planejei: sair do ponto 6 em azimute até as proximidades do ponto 7, usando a área branca para obter melhor velocidade. A cerca na área branca seria meu primeiro checkpoint. Após a cerca, seguir até as proximidades do ponto, entrando no espaço branco próximo à linha vermelha. Dali, diminuir a velocidade e atacar o ponto buscando a trilha na qual ele estava posicionado. 
O que fiz: a saída do ponto 6 foi bastante lenta, mas segui conforme o planejado até a cerca. A partir dali, mantive o azimute, mas sem a contagem de passos. Ao chegar no que seria meu segundo checkpoint, acabei me confundindo, pois havia uma pequena trilha no local. Atravessei parte da vegetação e depois voltei para a área branca. Passei a procurar o ponto antes do local correto. Não me atentei para o sentido da trilha (na verdade, não era uma trilha, mas uma borda bem definida entre a vegetação e a área de eucaliptos). Voltei a essa região e fiz uma varredura sentido sul-norte. Voltei buscando o ponto à direita, na parte pedregosa da vegetação. Sem sucesso, optei por seguir mais à frente, rumo à faixa branca que daria acesso ao ponto, mas totalmente sem confiança. Acabei percorrendo essa faixa branca no sentido norte, pois havia visualizado uma torre cilíndrica (tipo uma caixa dágua). 

Segui até as proximidades da torre e visualizei a cerca. Crendo que ela seria o quadrado em azul plotado no mapa, voltei a buscar o ponto. A leitura errada me fez voltar ao mesmo ponto da primeira busca. Mais uma vez errando o ponto, segui sentido sul novamente à cerca, mas rumando para a direita. Encontrei uma caixa metálica cheia de água. Mas essa estava demarcada como x preto (o objeto estava cheio devido às chuvas). Parei por alguns segundos para tentar identificar minha real localização. Percorri a cerca rumo ao reservatório de água e refiz minha leitura. O x preto seria a caixa metálica de formato quadrado, e a torre cilíndrica seria o x azul. Assim, segui em azimute a partir do x azul e encontrei o ponto com facilidade. 

O que deveria ter feito: seguir conforme o planejado, CONTANDO OS PASSOS DUPLOS. Também deveria ter definido antes a barreira de segurança. No caso, ao passar do ponto seria fácil identificar a trilha mais larga e a área branca logo em frente. Voltar ao primeiro checkpoint (cerca) também me ajudaria a economizar alguns minutos. 
Rota do ponto 9 para os pontos 10, 11 e 12 
O que planejei: seguir pela linha vermelha na maior velocidade possível (tentando recuperar o tempo perdido) com erro proposital para a direita até alcançar a estrada. Por ser uma distância longa, usar a travessia da linha dágua com a cerca como checkpoint. Dali definir como atacar o ponto 10. 
O que fiz: segui conforme o planejado até o checkpoint, com extrema velocidade. Dali, acabei rumando para o ponto 11, ao invés de seguir rumo ao ponto 10. Não sei explicar se o motivo do erro foi a dobradura do mapa ou o fato de ter visto um orientista da H21A seguindo rumo ao ponto 10. O fato é que depois do checkpoint previsto, decidi seguir em azimute para o ponto errado. Do ponto 11 segui para o ponto 10 e, para coroar minha falta de atenção, segui rumo ao ponto 12. 

Somente neste momento eu percebi que havia errado a ordem dos pontos e, para corrigir, voltei ao ponto 11.  Então, para relembrar, fiz a sequência 9-11-10-11. Dessa forma, corrigi o erro. 
O que deveria ter feito: deveria ter traçado toda a rota desde a saída do ponto 9. Como meu intuito era recuperar o tempo perdido, então uma rota bem rápida seria seguir pela estrada até a curva entre o ponto 11 e o ponto 10. Atacar o ponto 10 e retornar para o ponto 11. Do 11, seguir em azimute até alcançar a estrada e a cerca. Dali, atravessar a cerca e, pela vegetação, buscar a vala seca para atacar o ponto 12. 

Se foi confuso para vocês entenderem esse trecho do meu percurso, imaginem o que eu passei! 
A partir do ponto 12, uma parte mais truncada do mapa, não tive mais problemas em meu percurso (salvo o azimute para o ponto 17, corrigido rapidamente). Tentei ser o mais rápido possível, mas primando pela segurança nas rotas escolhidas. 
Observem como foi o gráfico por pernadas abaixo. Fiz algumas melhores parciais (2, 3, 5, 14, 15), mas perdi muito tempo errando os pontos 7 e 11:

Desde o início da prova eu sabia que precisava ser rápido. Após o primeiro grande erro (ponto 7), confesso que questionei se valeria a pena tentar recuperar o tempo. Mas ciente de que nosso esporte só é definido depois que todos os atletas completam seus percursos, continuei firme. O segundo erro (ponto 10) abalou a confiança novamente, mas não o suficiente para me parar. Ao final, terminei com o terceiro melhor tempo (Valker em primeiro e Evandro em segundo). Para o pódio houve correção devido a uma penalização ao Evandro (COTRIM) por atraso de 8' na partida (então, deixando o "tapetão" de lado, o segundo lugar é do Evandro!). 
Abaixo vocês podem visualizar minhas rotas (cor azul) em comparação com as de outro atleta, o Wesley, do COASSEB (cor vermelha):

E clicando aqui você acessa um pequeno álbum de fotos da premiação da etapa e do CamGOr. 

Para essa análise de rotas utilizei: QuickRoute, Helga-O e 3DRerun (clique aqui e aperte o play).
Não se esqueça de deixar seus comentários. Sua manifestação é sempre importante para toda família orientista. 

Boas rotas \o/ 
orientistaemrota 

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Final do CamBOr 2018 - impressões gerais

Olá, estimados orientistas.

A última etapa do Campeonato Brasileiro de Orientação – CamBOr 2018, ocorreu nas instalações do INPE, em Cachoeira Paulista-SP.

Foi um evento considerado satisfatório pela maioria dos competidores, tendo destaque os percursos que priorizaram a velocidade. Observem nos nos mapas da categoria H35A que as rotas ponto a ponto foram, na grande maioria, de soluções óbvias. Ou seja, com poucas escolhas possíveis para as tomadas de decisão. Vale considerar, ainda, as fortes chuvas que antecederam as provas de floresta e a dificuldade de progressão nas áreas teoricamente abertas. As áreas de pasto, por exemplo, apresentaram mato alto e difícil de transpor.


Seguindo minha meta de percorrer uma distância real de até 20% acima da distância em linha vermelha, num pace de até 7’/km, obtive resultados satisfatórios. Foi um primeiro lugar no percurso longo e um terceiro lugar no percurso médio. Dessa forma, no somatório, terminei a etapa na primeira colocação, tal como na classificação geral do CamBOr 2018.  Pela primeira vez tive a sensação de que estou no caminho certo. Ainda faltam ajustes na parte técnica e na capacidade física. Assim como na meta, pois este último WMOC me ensinou que o pace deve estar abaixo de 6’/km.
Observem que as rotas escolhidas, em ambos os percursos, foram de definição simples. Houve poucas oportunidades de escolhas:


Aqui uma animação para que vocês visualizem as rotas escolhidas por dois competidores na categoria (eu e o Wesley Oliveira).

Os resultados, ranking final do CamBOr 2018 e os mapas da etapa estão disponíveis na página da CBO.
A partir do ano que vem, o CamBOr será disputado em etapa única. Esperamos que a medida seja bem recebida por toda a família orientista. E que o novo modelo seja palco de disputas justas e agradáveis a todos.
O álbum de fotos está incrível. Clique aqui e veja se você ou algum conhecido foi flagrado. Compartilhe e não se esqueça de citar a fonte. Isso incentiva a trabalhar ainda mais para vocês.

Boas rotas \o/

orientistaemrota