quarta-feira, 5 de abril de 2017

Análise de rotas - CODF2017 I Etapa

Olá, estimados orientistas.

No dia 26 de março ocorreu nas proximidades de Planaltina-DF a primeira etapa do Campeonato de Orientação do DF, o CODF2017. O evento seguiu o já consagrado padrão Brasília de organização.
Dessa vez o cenário escolhido foi o Haras Terra Vermelha. Uma prova de que o bem estar do orientista e de seus acompanhantes é fundamental no planejamento das provas.
Abaixo o mapa da H21E:


E aqui as minhas escolhas durante a prova. É sobre elas que vamos tecer alguns comentários nas próximas linhas.


Para facilitar a escolha de quais rotas merecem uma análise mais profunda, e para que vocês entendam a metodologia, continuo perseguindo realizar uma prova tradicional percorrendo até 20% a mais da distância em linha reta e num pace (tempo necessário para cada quilômetro percorrido) de até 7'/km. Como a prova apresentou uma distância de 8 km, meu limite de desvio seria de até 1,6 km. Portanto, minha distância total, para ficar dentro da meta, seria de 9,6 km. O tempo total deveria ficar próximo aos 70 minutos.
Reparem na tabela abaixo que percorri 10,2 km num tempo de 1h47'. Um pace médio de 10,30'/km. O desvio foi de 29,3%. Perto da meta, mas o tempo foi bem acima do desejado.

Tabela de parciais 

O melhor tempo dessa prova ficou com Simeão Fernandes, seguido por Leonardo Vieira. Minha performance garantiu o terceiro melhor tempo. Em conversa com o mesmo Leonardo Vieira, atleta integrante de equipe militar de orientação, ele acredita que os atletas de ponta conseguiriam completar este mesmo mapa em tempo abaixo dos 70'. Vale observar que a região deste mapa não possui área branca (eucaliptos, pinheiros ou similares).

Resultados no Helga-O

Informações gerais no QuickRoute

Notem no gráfico acima que grande parte do percurso atingiu a zona vermelha. Isso significa que a velocidade foi baixa, praticamente caminhando.

Rota do ponto 3 ao ponto 4:


O que planejei: voltar pelo ponto de entrada do ponto 3, e seguir por fora da vegetação. Atacar o ponto 4 depois de passar pela vegetação fechada.
O que fiz: segui conforme o planejado.
O que deveria ter feito: a estratégia foi adequada. Uma outra opção seria sair do ponto 3 pela sua direita, pegando a estrada com cerca, medir a distância e atacar o ponto 4. Talvez essa opção pudesse garantir mais alguns segundos de vantagem.

Rota do ponto 9 ao ponto 10:

Rota até o checkpoint

Segunda parte da pernada
O que planejei: Essa é uma pernada de aproximadamente 1,1km. Para completá-la, percorri quase 1,5km. Foram 12 minutos num trajeto desafiante. Reparem que dividi em duas imagens, para melhor visualização e didática. Saindo do ponto 9, planejei seguir pela estrada mais próxima da linha vermelha. Seu final seria meu checkpoint. Dali traçar o restante da rota, dando preferência a circundar a elevação pelo seu lado esquerdo e pegar a estrada que dá acesso ao ponto 10. Diminuir a velocidade para chegar no pequeno talvegue e atacar o ponto.
O que fiz: A primeira parte do planejamento foi feita a contento, mas já percebi que a estrada mais à esquerda permitia melhor velocidade. Mantive o planejamento e fiz uma pequena subida. Já na segunda parte, após o checkpoint, notem que segui demasiado pela esquerda, chegando próximo ao ponto 13. Isso se deu devido ao pasto na área amarela. Não era de transposição fácil e ainda provocou um desvio inadvertido. Reparem que ao passar pela cerca minha velocidade diminuiu bastante (cor vermelha). Isso pode ter sido o ponto exato no qual iniciei o desvio incorreto para a esquerda. Nas proximidades do ponto 13 eu tive a impressão de já estar na estrada de acesso  ao ponto 10, próxima ao canto de cerca. Ao perceber que estava incorrendo em erro, diminuí a velocidade e encontrei a estrada, percorrendo-a em velocidade ainda baixa, dada a diminuição da confiança. Haviam outros competidores no local, o que aumentou o estado de alerta para que eu não os seguisse inadvertidamente. Mantive a contagem de passos e a observação tanto da elevação quanto da sinuosidade da estrada. O ponto de ataque foi correto e o objetivo foi atingido.
Como deveria ter feito: Seguir até o primeiro checkpoint definido no planejamento. Dali, a melhor opção parece ser seguir pelo lado direito da linha vermelha. Notem que há um corredor na vegetação o qual vai direto à trilha que dá acesso ao ponto de ataque para o prisma 10 (vide seta da direita na segunda figura.

Rota do ponto 17 para o ponto 18:


O que planejei: seguir pela trilha indistinta e atacar o ponto 18 tendo como referências a distância após a cerca e os pequenos talvegues.
O que fiz: fiz conforme o planejado até a cerca, que era o checkpoint principal. O ataque não foi eficiente, pois ao seguir pelas rochas, me desloquei mais à esquerda. Para corrigir, voltei para a área de clareira e só ali percebi um objeto especial (manilha) o qual permitiu o ataque correto. Ainda estou com a impressão de que havia outro conjunto de rochas mais à esquerda. Entretanto, pode ser aquela famosa impressão de orientista atabalhoado, rs.
Como deveria ter feito: o planejamento foi adequado. Seguir pela linha vermelha não era viável devido ao lago no meio da rota. Pela direita da linha vermelha o relevo impediria maior velocidade. O ponto crucial aqui seria uma maior atenção no momento do ataque e eliminar a ansiedade, observando o momento adequado do ataque fino ao ponto. A manilha garantiria o ataque correto ao ponto 18.

Rota do ponto 19 para o ponto 20:


O que planejei: seguir em azimute para o ponto 20.
O que fiz: acabei tendendo para a direita do ponto. Notem que é um declive.
Como deveria ter feito: seguir conforme o planejado, com atenção ao talvegue e ao montículo que serviriam de balizadores.

Rota do ponto 20 para o ponto 21:


O que planejei: ao sair do ponto evitando os dois barrancos, atravessar a área cultivada e alcançar a trilha, seguindo por esta até a travessia do riacho. Dali, afinar a orientação em direção ao ponto 21.
O que fiz: segui conforme o planejado.
Como deveria ter feito: este é um trecho que coloquei aqui para que vejam as possibilidades. Uma delas seria sair do ponto 20 pela direita e passar por entre os barrancos. A partir daí, seguir pela linha vermelha até atingir o ponto de travessia do riacho, já nas proximidades do ponto 21. A outra seria contornar ambos os barrancos pelo lado esquerdo, tal qual o planejamento, mas em seguida sair da área cultivada pela linha vermelha, também até o ponto de travessia do riacho. No entanto, ambas opções incorrem na travessia de um trecho cuja vegetação aparentemente não permitiria maior velocidade que aquela obtida na opção de alcançar a trilha. Só que a distância a maior obrigatoriamente passa a exigir uma boa velocidade para compensar a maior distância.

E aí, valeu a pena estudar este mapa? Se tiver alguma opinião, não deixe de emitir no campo de comentários ao final desta postagem.
Como de praxe, fizemos algumas fotos as quais estão disponíveis no nosso álbum de fotos. Para visualizá-las,  clique aqui.
E visite também os álbuns disponibilizados pelos orientistas e fotógrafos André Pivoto e Luis Fuzer - clique aqui.

Agora vamos até Tiradentes-MG, participar e aprender muito nesta I Etapa do CamBOr 2017.

Boas rotas \o/
orientistaemrota