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terça-feira, 17 de abril de 2018

Análise de rotas: CamGOr 2018 - I Etapa

Olá, estimados orientistas.

Hoje vamos falar sobre o mapa da categoria HMA da primeira etapa do Campeonato Goiano de Orientação 2018. A prova ocorreu nas proximidades da cidade de Caldas Novas, no estado de Goiás. Numa área de cerrado nativo com partes de atividade agropecuária.
Sobre a organização da prova, destaque para a realização em paralelo de uma clínica de Pre-O, com exercícios para os competidores interessados, e para uma atividade de pesquisa acadêmica que utilizou alguns competidores para obtenção de dados relativos à saúde e desempenho.
O local escolhido para ser a arena do evento era bastante rústico, mas atendeu a contento as expectativas. Inclusive foi utilizado para a premiação da etapa (no CamGOr há cerimônia de premiação em cada prova) e para o almoço.
Mais informações sobre terreno e estatística dos percursos estão disponíveis na página da FOG.

Vamos aos trabalhos. Abaixo o mapa da categoria e o mapa com minhas escolhas (clique nas imagens para ampliar):

Notem que adotei uma escala de cores indicando meu pace (tempo em minutos para percorrer 1km). Em azul claro o pace de até 7:30 min/km. Em amarelo pace entre 7:30 e 14 min/km. Em vermelho, pace acima de 18 min/km (ou seja, caminhando ou parado).

Observem a tabela no lado direito da imagem. Nela estão os tempos para cada rota percorrida e os respectivos percentuais de desvio. Esses dados são muito importantes para analisarmos qual foi meu desempenho e em que pontos eu poderia melhorar.
Como tenho dito em outras análises de rotas, minha meta é completar uma prova percorrendo uma distância de até 20% acima da declarada no mapa, num pace de até 7 min/km. No caso dessa etapa, a pista tinha 4,5km e eu acabei percorrendo 6,2km em 1 hora e 3 minutos. Portanto, 800m acima da minha meta. E em relação ao pace, analisando a distância de 5,4km da minha meta, deveria terminar a prova em aproximadamente 40 minutos.

ROTA DO PONTO 1 PARA O PONTO 2
O que planejei: seguir em azimute para o ponto 2, passando pela trilha para confirmar minha posição.
O que fiz: iniciei conforme o planejado. Ocorre que ao chegar na trilha, talvez pela forma de impressão da bolota do ponto, não tenha identificado a continuidade da trilha até a clareira ao norte (vejam no mapa sem as rotas). Segui por um trecho da trilha até a clareira, depois retornei para atacar o ponto. Minha barreira de segurança era a cerca.
O que deveria ter feito: seguir conforme o planejado, com a devida contagem de passos. Acabei perdendo cerca de 3 minutos nessa rota.

ROTA DO PONTO 2 PARA O PONTO 3
O que planejei: contornar a elevação pela curva de nível e seguir diretamente ao ponto, observando a segunda elevação como barreira de segurança.
O que fiz: saí do ponto 2 conforme o planejado, e iniciei o contorno da elevação pela parte sul. Ocorre que perdi a contagem da distância e não consegui identificar as elevações adequadamente. Notem que parte da rota (em azul) foi feita com boa velocidade. Desci até a cerca para me localizar e dali pude confirmar que o ponto 3 estava mais adiante.
O que deveria ter feito: seguir conforme o planejado, atentando para a contagem da distância. Considerando a diminuição da velocidade e a distância percorrida a maior, foram aproximadamente 3 minutos perdidos nessa rota.

ROTA DO PONTO 6 PARA O PONTO 7
O que planejei: sair do ponto 6 buscando a trilha indistinta rumo ao ponto 7. Usar a área encharcada como ponto de ataque.
O que fiz: nessa parte da prova eu havia alcançado um outro competidor de mesma categoria. Seguimos juntos conforme planejado, mas o ataque ao ponto foi realizado antes do previsto. Retornei ao início da trilha indistinta e corrigi o erro efetuando a correta contagem de passos.
O que deveria ter feito: seguir conforme o planejado, com contagem de passos e maior atenção.

ROTA DO PONTO 10 PARA O PONTO 11
Aqui o ponto crucial da prova. Um erro que merece bastante atenção. A memória da situação não foi suficiente para me fazer apontar as reais causas deste erro. Mas ao verificar o mapa e a rota percorrida, surgem alguns elementos que podem nos ajudar a elucidar o caso. Um desses elementos é a intenção de sair do ponto 10 contornando pelo norte. 
Outra hipótese considerável, e a mais adequada, pode ter sido a forma como dobrei o mapa ao sair do ponto 10. Vou colocar a imagem do mapa, uma delas invertida, para que observem como pode ter sido essa a justificativa para meu erro. 
Observem que o caminho percorrido na imagem do mapa desorientado é similar à que eu deveria ter percorrido no mapa orientado. Ao chegar à cerca, que deveria estar à esquerda, acabei indo até sua quina, de forma a identificar onde eu realmente estava. Ocorre que lá me deparei com uma estrada, que serviu de alerta para confirmar que eu estava perdido. Foram necessários mais alguns segundos para observar o local, identificar pontos de referência, orientar o mapa adequadamente e definir a forma de correção do erro.

O que planejei: aparentemente, minha intenção inicial era sair da vegetação onde estava o ponto 10 em sentido sudoeste, depois seguir até a cerca e utilizá-la como corrimão até sua quina, depois pegar a trilha rumo à estrada e, de lá, atacar o ponto 11.
O que fiz: como explicado, é provável que eu tenha saído com o mapa desorientado em 180 graus. Isso me fez seguir no sentido contrário. Demorei a admitir o contra-azimute e somente após percorrer a cerca até uma estrada é que fiz uma pausa para confirmar minha real posição. Ao perceber o erro e ter certeza de onde eu realmente estava, segui até a porteira que dava acesso a uma trilha limpa. Percorri essa trilha em alta velocidade até chegar à estrada que fazia parte do plano inicial. 
O que deveria ter feito: seguir conforme o planejado, atentando para a posição do mapa e às referências do terreno. A cerca e as curvas de nível seriam bons indícios para a rápida detecção do erro. 

A imagem abaixo é o gráfico com as posições após cada pernada, extraída do Helga-O. Notem que nos pontos 6, 8, 9 e 10 foram os momentos onde liderei a prova. O gráfico é mais uma ferramenta para corroborar as perdas que tive decorrentes dos erros sobre os quais conversamos neste post.

Bom, vamos encerrar por aqui este post. Estejam sempre atentos à sua posição no mapa e no terreno durante as provas ;-)
Um pequeno álbum de fotos está disponível clicando aqui.
E abaixo um pequeno vídeo também sobre a análise de rotas que tratamos neste post.

Não se esqueçam de comentar o que acharam deste post e de nos seguir nas redes sociais e no youtube. Assim, vocês estarão contribuindo para a continuidade do blog e serão notificados sempre que houver novidades.

Seja inteligente! Pratique a corrida de Orientação.
Boas rotas \o/
orientistaemrota

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Análise de Rotas - IV Etapa do CODF 2017

Olá, estimados orientistas.

As análises de rota são uma oportunidade incrível de aprendermos mais sobre a corrida de Orientação e uma forma eficaz de aprimorar a técnica. Hoje vamos tratar do mapa da IV Etapa do Campeonato de Orientação do DF, na categoria H21E.

(Editado em 27/09: incluídos comentários do traçador Antonio Dmeterko, sobre a rota do ponto 09 para o ponto 10)

É um mapa bastante técnico, fidedigno e que apresentou um terreno complicado. Notem que a distância em linha reta foi de "apenas" 5,7 km. O tempo do vencedor foi de 1h. Portanto, um mapa de progressão lenta.
Dois aspectos interessantes a ressaltar são a quantidade de afloramentos rochosos e o clima quente e seco que domina o cerrado nessa época do ano (mês de agosto).
Como citado em outras análises de rotas, minha meta é completar o mapa percorrendo, no máximo, 20% a mais da distância da linha vermelha e num pace médio de, até, 7 minutos por quilômetro.
Nessa etapa, portanto, considerando que a linha vermelha era de 5,7 km, para alcançar a minha meta, deveria percorrer, no máximo, 6,8 km. Essa distância, num pace de 7'/km, levaria aproximadamente 49 minutos.
Cometi alguns erros e completei a prova em 1h44', percorrendo 8,1 km.
Nas próximas linhas, vou tentar explicar melhor o que aconteceu para este resultado (clique nas imagens caso queira ampliar). 

Este é o mapa da prova:

Este é o mapa com as minhas escolhas:


Rota do ponto 3 para o ponto 4

O que planejei: seguir até a estrada, virar à esquerda, pegar a estrada que contorna a cerca, contar a distância e atacar o ponto a partir da cerca em ângulo de 90 graus.
O que fiz: segui conforme o planejado.
O que deveria ter feito: a estratégia não foi ruim. Mas percorri 140m além da distância da linha vermelha. Avalei que seria melhor adotar a rota mais segura no início da prova, para ir ganhando confiança. Entretanto, seguir pela linha vermelha era uma excelente opção.


Rota do ponto 09 para o ponto 10
Aqui vou copiar, na íntegra, os comentários do traçador Antonio Dmeterko. As setas na cor rosa são opções. Meu planejamento era seguir pela ruína da cerca, mas acabei mudando o planejado dada a dificuldade de progressão. Segui pela curva de nível, ainda com dificuldades. Fui descendo em diagonal e cheguei (por sorte) no "vão" comentado pelo traçador. De fato, não tive a capacidade de avaliar a passagem demarcada no mapa. Com a palavra, o traçador Dmeterko:

Como traçador dos Percursos do evento em questão, quero dizer que já esperava as dificuldades encontradas na rota do PC 09 para o 10. Terreno muito difícil. O que me surpreendeu foi o fato de nenhum dos três atletas analisados ter usado a brecha de 404 que havia bem no meio dessa vegetação 409. Para quem não foi próximo da linha vermelha essa era a melhor opção. Provavelmente o susto da dificuldade da primeira "encarada" naquela área tão difícil e a ruína de cerca levaram os três a não vislumbrarem essa opção acima mencionada.

Já o teu erro do 13 para o 14 deve ter sido por natural descuido e desconcentração, pois tinha acabado de sair de uma área muito difícil para uma área relativamente bem fácil e, possivelmente deu aquela "relaxada" natural.

E o erro do 14 para o 15 é o velho problema de quem comete um erro crasso num ponto e tenta recuperar. É muito comum repetir-se o erro nessa situação.


Mais uma vez, obrigado, Dmeterko \o/

Rota do ponto 13 para o ponto 14

O que planejei: pegar a trilha à frente do ponto 13 em direção à região do ponto 14. Ao final da região rochosa e quedas d'água, contornar a vegetação mais fechada à direita e atacar o ponto.
O que fiz: segui conforme o planejado até passar pelas formações rochosas. Adotei como ponto de controle uma queda d'água. Ocorre que passei da região e, na borda do mapa, utilizei uma outra queda d'água mais à frente como sendo meu check point inicial. Como resultado, acabei saindo do mapa e demorei para perceber o erro. Voltei algumas vezes ao rio, tentando identificar a posição exata. Percorri pouco mais de 300m além do estimado, em baixa velocidade. Somente após fazer uma leitura da vegetação é que percebi a real posição do ponto 14, sendo atacado e encontrado finalmente.
O que deveria ter feito: seguir conforme o planejado, adotando como check point as formações rochosas, além de realizar a contagem da distância percorrida. O ponto de segurança deveria ser o encontro de trilhas na borda do mapa.

Rota do ponto 14 para o ponto 15

O que planejei: voltar para a trilha e, mais uma vez adotando uma queda d'água como referência, atacar o ponto 15.
O que fiz: segui como planejado e o equívoco me custou mais tempo e distância percorridos sem efetividade. Voltei ao ponto 14 e, de lá, azimutei para o ponto 15. Foram mais de 6 minutos perdidos, além do esforço físico para percorrer 450m em excesso. Vale somar, ainda, o abalo mental provocado pelo segundo erro em sequência.
O que deveria ter feito: azimutar do ponto 14 rumo ao ponto 15, seguindo o mais próximo da linha vermelha.


Para tornar mais interessante essa análise de rotas, fiz um pequeno vídeo utilizando o QuickRoute e a plataforma de análises 3DReRun. Convido todos vocês a assistirem de forma a complementar o que foi escrito neste post.

Não deixem de comentar essa análise e contribuir para melhorar a qualidade do nosso blog.

Boas rotas \o/
orientistaemrota

sábado, 27 de agosto de 2016

Análise de rotas II Etapa do CamBOr 2016. Parte II - Percurso Médio

Análise de Rotas Percurso Médio – H35A

Depois de alguns anos disputando o CamBOr na categoria H21A, mudei para a H35A. A transição se deve, principalmente, a dois aspectos: meus 40 anos de idade e a confiança de que posso disputar em igualdade com os colegas da categoria, mesmo sendo eles, em bom número, provenientes da H21E com dedicação exclusiva.
Recuperado do enorme desgaste causado pelo Percurso Longo, e ciente de que as estimativas de tempo foram superestimadas pelo organizador (em várias categorias, muitos competidores levaram mais de 2h para terminar seus percursos), hora de tentar ganhar algumas posições para, quem sabe, figurar entre os 10 primeiros da categoria. O primeiro aspecto que tratei internamente foi exercitar mentalmente o tipo de relevo e sua vegetação de difícil progressão.  A largada no início do pelotão trouxe a ansiedade em percorrer o mapa sem ser alcançado pelos colegas que viriam após. Vamos tratar aqui das rotas 1-2 e 8-9.

Este é o mapa com minhas rotas:




Rota do ponto 1 para o ponto 2



O que planejei: seguir em azimute para o ponto, utilizando como linha de segurança o topo da elevação.
O que fiz: segui conforme o planejado, mas o deslocamento tendeu para a esquerda. Não utilizei os cupinzeiros como pontos de checagem e acabei descendo além do necessário. Ao não encontrar o ponto na primeira tentativa, retornei para o topo da elevação, mais uma vez sem obter êxito. Na segunda tentativa de encontrar o prisma pela esquerda da elevação, desci um pouco mais à frente e concluí o trecho. Me pareceu que o ponto estava um pouco deslocado à frente e à esquerda do topo da elevação, diferentemente da localização do mapa.
O que deveria ter feito: seguir conforme o planejado, mas fazendo a contagem adequada da distância e seguindo os pontos de checagem. Importante observar que deslocamentos em diagonal nas elevações normalmente tendem a curvar para seu lado mais baixo (como se estivéssemos seguindo a direção que a água tomaria). Outro detalhe que merece atenção é que a vegetação e o relevo deste trajeto tornaram o deslocamento extremamente lento. Notem que praticamente todo o percurso está em vermelho, sendo necessários mais de 2’para percorrer os 100m entre um ponto e outro.
Foram pelo menos 40” perdidos neste pequeno trecho.

Rota do ponto 8 para o ponto 9


O que planejei: seguir para o ponto nove descendo o trecho com uma queda proposital para a direita, utilizando a valeta como corrimão. Diminuir a velocidade na valeta para não passar do ponto.
O que fiz: segui conforme o planejado. Mas não contei os passos duplos. Perdi a noção da distância e imaginei que havia passado do ponto. Iniciei nova subida, retornando ao início da vegetação mais densa da valeta. Dali desci novamente, obtendo êxito.
O que deveria ter feito: uma das opções era seguir conforme o planejado, mas com a adequada contagem de passos. Uma segunda opção seria descer rumo ao ponto em azimute e utilizando como barreira de proteção a valeta perpendicular após o ponto, ou ainda como ponto de checagem a árvore de destaque à esquerda do prisma.

Como podem ver, esta foi uma prova mais consistente. Isso se deve, entre outros, ao fato ter enfrentado o relevo e a vegetação no dia anterior. Completei a prova em 59'28", o que me deixou na 3ª colocação nesta prova e 4º colocado na classificação final da etapa. Ainda há o que melhorar. Que venha o próximo CamBOr.

Os resultados oficiais estão disponíveis aqui.

Boas rotas \o/
orientistaemrota