A prova de revezamento foi bem executada. Horários cumpridos, arena com estrutura adequada e o bom e velho clima de congraçamento entre os presentes. Também um certo desapontamento por conta do regulamento e das várias interpretações que, em parte, sobrepujaram aqueles que buscaram formar trios dentro de seus clubes ou de suas Federações.
Encerrando o assunto sobre as regras do revezamento, em conversa com um orientista este apresentou um ponto de vista interessante (embora questionável). No entender de alguns, diz este colega que a Orientação tem como mote ser o "desporto da família". Portanto, não se deve entender o artigo 7º como restritivo.
Isto posto, entendem alguns dirigentes/árbitros/orientistas, segundo este colega, que pode haver qualquer formação de trio. A regra, teoricamente, será aplicada somente ao final do campeonato de Revezamento, quando estes trios não farão jus à premiação final. Ainda, argumentam sobre a preposição "de" na oração "equipes de federação". Entendem que se a oração fosse "equipes da federação", aí sim a regra seria restritiva.
Pessoalmente, julgo uma avaliação de extremo mal gosto e de pouca preocupação com o conjunto de orientistas. Mas é um ponto de vista. Respeito.
Sugiro aos donos deste ponto de vista (equivocado, salvo melhor juízo), apenas, que leiam o parágrafo 3º do artigo 11º:
Parágrafo 3º - A federação poderá compor equipes com os atletas de clubes
diversos a ela filiados que não constituíram equipes e, esta equipe contará pontos
somente para a federação que representa. (grifo meu)
Reforço que o regulamento opta claramente por restringir a formação dos trios. Não fosse essa intenção, não existiria o art. 7º, tampouco as demais referências à formação das equipes e às formas de pontuação e premiação.
Uma pena, também, a tentativa de impedir as manifestações formais dos (muitos) que não concordam com a leitura equivocada da regra. Felizmente, nem todos estão amordaçados pela patente.
E como diriam os doutos: É o parecer.
Abaixo o mapa com rota de um dos percursos do Revezamento Master A Misto. Por ser uma prova rápida, e devido à execução esperada do atleta, não serão realizados comentários sobre as escolhas (tempo total: 14'31").
Começa hoje, dia 05 de junho de 2015, mais uma etapa do Campeonato Brasileiro de Orientação, a II Etapa do CamBOr.
O evento tem sede na cidade de Sidrolândia, nas proximidades de Campo Grande, a capital do Mato Grosso do Sul. A maior parte dos atletas estará hospedada na Fazenda Piana, cujo proprietário é, também, orientista. O local vai sediar os percursos Longo e Médio.
Quanto ao evento em si, nos agradou a disponibilização prévia dos horários de partida do percurso longo. Lembramos que a divulgação prévia é obrigação comum a todos os organizadores de etapas do CamBOr.
No entanto, percebemos novamente uma manobra que afronta o Art. 7º do Regulamento do Revezamento. Dessa vez, competidores de diferentes Federações se inscreveram com equipes denominadas Brasil 1 a 4. Na primeira etapa, divergiram do regulamento os trios identificados como CBO seguido do respectivo número.
Pelo que diz o regulamento, estes trios não podem disputar a premiação com aqueles trios de competidores de mesmo clube ou mesma Federação. Vamos aguardar as próximas horas e verificar como se portarão os competidores, os organizadores e a arbitragem do evento.
Hoje vamos tentar ajudar os colegas que, vez ou outra, me perguntam sobre como faço para incluir as rotas obtidas em GPS nos mapas de orientação. Aproveitando, vamos falar um pouco sobre programas de análise de rotas e o que a tecnologia oferece em termos de equipamentos para gravação de seus percursos. Como o assunto é extenso, vamos dividi-lo em partes. Boa leitura!
PARTE 1 - Programas de Análise e Dispositivos
Os principais programas de análise são o QuickRoute (somente para ambiente Windows) e o QDRoute (ambiente Mac). Basicamente, são programas que sobrepõem os dados de GPS no formato GPX ou TCX num mapa em formato JPEG.
QuickRoute. Fonte: http://www.matstroeng.se/
Como a maioria das organizações das provas aqui no Brasil não disponibilizam os mapas tal qual acontece em outros países, você pode: 1) escanear o mapa ou 2) fotografá-lo com o dispositivo que lhe convier.Já a obtenção da rota em GPS exige um aparelho que grave suas posições, preferencialmente, a cada segundo. Para tanto, você precisa de um GPS data logger. Que pode ser desde um GPS portátil para mapeamento, um aparelho de celular com esta funcionalidade ou um GPS de pulso daqueles utilizados por corredores e que, provavelmente, você já viu ou ouviu falar.
O GPS portátil para mapeamento não é prático para quem está se deslocando em velocidade, por questões óbvias. Além disso, as configurações para gravação da rota e cronometragem não são tão práticas como nos GPS de pulso. Os aparelhos de celular e smartphones carecem de proteção física.
Mas até os GPS de pulso possuem restrições. Uma delas é o preço, que gira em torno dos U$300,00 para modelos mais modernos.
Modelos de GPS de pulso. Fonte: http://www.dcrainmaker.com/
Cada fabricante tem suas especificações e, obviamente, suas vantagens e desvantagens. Preço, tamanho, fator de resistência a água, durabilidade da bateria, formato de gravação das rotas, comunicação com outros aparelhos, resistência a impactos, entre outros, são fatores básicos que devem ser observados por aqueles que desejam adquirir um destes equipamentos.
Vale alertar que a IOF restringe o uso de equipamentos gravadores de rota que possuem visor. Transcrevemos abaixo a regra 21.3 da orientação pedestre:
21.3 During the competition the only navigational aids that competitors may use or carry
are the map and control descriptions provided by the organiser, and a compass.
21.4 Competitors may not use or carry telecommunication equipment between entering
the pre-start area and reaching the finish in a race, unless the equipment is approved
by the organiser. GPS data loggers with nodisplay or audible feedback can be used.
The organiser mayrequire competitors to wear a tracking device.
Esta regra, embora clara, é alvo de discussão em vários fóruns de Orientação, pois o uso dos GPS de pulso, na opinião de alguns, não promove auxílios adicionais. Além disso, dizem, pode afetar a popularização da modalidade (aqui uma discussão sobre o assunto no Attackpoint: http://www.attackpoint.org/discussionthread.jsp/message_651965).
I-gotU GT600. Fonte: BHPhoto
Numa avaliação simplista, os GPS de pulso poderiam, teoricamente, proporcionar vantagem adicional a seus usuários. Especificamente na medição de distâncias. Entretanto, opinião particular, na prática essa vantagem não se confirma, pois tanto a medição de distâncias quanto outras funcionalidades exigem demasiado tempo de observação do aparelho, além da precisão reduzida em se tratando de pequenas distâncias em terreno diverso. Além disso, o bom orientista há de concordar que a contagem de passos, a leitura de carta e terreno e a percepção espaço-temporal são habilidades incompatíveis com os atuais recursos tecnológicos existentes.
Particularmente, quando está explícito no regulamento da prova o cumprimento da regra 21.3, utilizo o GPS Data Logger I-gotU GT600. Compacto, a prova d'água, preciso e com duração de bateria excepcional. Holux, Qstarz, i-Blue e iTrail são exemplos de outras marcas disponíveis no mercado.
Nas outras provas e, principalmente, nos meus treinos, atualmente utilizo um Suunto Ambit2, o qual está sucedendo a contento um Garmim 405cx. Indiscutivelmente, os Garmim são os mais conhecidos e populares. Os maiores inconvenientes são quanto à pouca proteção à água (fator IPX 7) e quanto à resistência a choques, que, em nossa opinião, é de leve a moderada. Também estão na lista os Polar, Timex e, como dito anteriormente, os smartphones.
Quanto aos rastreadores (GPS Trackers), estes já estão em uso em provas internacionais, como o Jukola e o O-ringen. Com eles é possível fazer o acompanhamento do orientista ao vivo. A IOF vem trabalhando para introduzir o esporte na transmissão televisiva. O que é fator considerável para popularização e inclusão da Orientação como modalidade olímpica.
Aqui você pode assistir a um exemplo de transmissão de competição de orientação com rastreamento dos competidores:
E aí? Gostou do assunto?
No próximo post vamos falar mais especificamente sobre os programas QuickRoute e QDRoute.
No período de 24 a 26 de abril de 2015, o estado de Santa Catarina sediou a I Etapa do Campeonato Brasileiro de Orientação, o CamBOr 2015. A cidade escolhida foi Rancho Queimado, distante 74 km da capital catarinense.
A região definida para a competição agradou em muito os participantes, pois ofereceu uma vegetação e relevo aprazíveis, além de o clima ter colaborado com a ausência das chuvas. Os percursos Longo e Médio foram realizados na mesma área mapeada.
Entretanto, alguns pontos importantes devem ser observados de forma que nossos organizadores avaliem e adotem estratégias importantes para que as próximas competições oficiais sejam ainda melhores.
O primeiro ponto a destacar diz respeito à prova de revezamento. Já neste dia foi possível observar que a estimativa de tempo para fim da prova foi subestimada. Muitos competidores levaram mais de 30 minutos para completarem seus percursos. Os mapas foram impressos na escala 1:10.000, utilizando metade de uma folha A4. A “economia” na impressão não parece ter explicação plausível. Além disso, houve, por parte da própria organização, a convalidação do descumprimento de regra relativa à formação das equipes.
Diz o próprio regulamento do revezamento que as equipes deveriam ser formadas por atletas do mesmo clube ou, em último caso, atletas da mesma federação (clique aqui para ler o Regulamento). Ocorre que várias equipes foram formadas por competidores de federações diferentes.
Salvo melhor juízo, como a regra era clara, não havia necessidade de formalizar reclamações. Ainda assim, foram interpostos “protestos”. Com a ausência de um “júri técnico”, a premiação foi adiada para o domingo. Inicialmente as equipes irregulares foram desclassificadas. Mas ao final da competição, a organização voltou atrás e manteve, lamentavelmente, o descumprimento da regra.
Formalmente, não se sabe quem foram os responsáveis por aceitar erroneamente as inscrições dos trios “CBO”, tampouco os responsáveis por decidir pela manutenção e premiação destes ao final da competição.
A ausência de transparência nas próprias ações, o despreparo para lidar com situações de solução aparentemente simples, o desconhecimento das regras oficiais, o uso inadequado de uma suposta autoridade e, por que não dizer, a conivência dos próprios competidores que se inscreveram irregularmente, macularam mais uma vez um evento oficial.
Em respeito àqueles que montaram seus trios na crença de que o regulamento seria cumprido à risca, fica aqui nosso apoio. Vamos agir para que desvios de regras como este não se repitam.
O segundo ponto trata da atualização/elaboração do mapa utilizado nos percursos. Foi emitida uma errata relativa a um trecho da área mapeada relatando divergência entre a simbologia no mapa e na área real. Ocorre que as diferenças estavam presentes em outras áreas além da divulgada. Fato que prejudicou aqueles que traçaram rotas confiando na simbologia do mapa mas se depararam com áreas de progressão lenta ou intransponível.
Aos dirigentes sugerimos:
ao elaborar regras, estejam atentos à opinião da comunidade orientista;
sejam os primeiros a cumprir o que está estabelecido;
e cuidem para que os demais acompanhem esta lógica.
Aos orientistas:
conheçam, cumpram e fiscalizem as regras.
Os resultados do Revezamento e dos percursos Médio e Longo estão disponíveis na página de Competições do sítio da CBO (http://www.cbo.org.br/site/competicoes/index.php).
As atenções ficam voltadas, agora, para a II Etapa do CamBOr, a ser realizada em junho na Fazenda Piana, entre Campo Grande e Sidrolândia, no estado do Mato Grosso do Sul. No ar ficam algumas perguntas:
Como será que os organizadores e os competidores vão se portar quanto às regras do campeonato?
Como fica a disputa pelo Revezamento, já que a arbitragem e demais responsáveis pela I Etapa do CamBOr 2015 descumpriram claramente o Art. 7º do Regulamento do Revezamento do CamBOr?
Qual será a adesão à II Etapa, que agora terá a concorrência direta do "4 Dias de Orientação de São João Del Rei" (evento nãoreconhecido pela FMO, conforme Nota de Esclarecimento)?
Leiam, também, a opinião de dois competidores recém filiados à FODF e à CBO, os quais compartilham em um ótimo texto as impressões de sua estreia num CamBOr. Clique aqui.
Também vale visitar o álbum de fotos Orientação Esporte, da nossa colega Odete. São delas as três belíssimas fotos que ilustram este post. O álbum completo você pode acessar clicando aqui.
Sob temperatura amena e diante de um visual repleto de aclives, a pequena cidade de Rancho Queimado, nas proximidades de Florianópolis - SC, foi palco para a abertura da I Etapa do Campeonato Brasileiro de Orientação 2015, o CamBOr.
A primeira competição foi o tradicional Revezamento por trios. Destaque para o tempo médio necessário para completar os percursos. Apesar de curtas as distâncias, a topografia obrigou os atletas a enfrentar subidas e descidas íngremes.
Não observamos a presença de ambulâncias ou equipes de resgate. Também vale destacar, negativamente, um provável descumprimento do regulamento relativo à formação das equipes (trios compostos por atletas de federações distintas). Assunto a ser discutido pelo Júri Técnico da Etapa.
Amanhã, dia 25, será realizado o percurso longo de cada uma das respectivas categorias. No domingo, dia 26, haverá o percurso médio e a premiação final da Etapa.
Acompanhe aqui no blog os principais destaques desta competição.
O álbum de fotos pode ser visualizado clicando aqui.
Nos dias 10 e 11 de abril ocorreu a reunião nº 174 do Conselho da IOF.
Na ata publicada no sítio da instituição há uma referência importante relativa à orientação brasileira. Resumindo, foi dado um prazo para que sejam sanadas pendências financeiras entre o Brasil e a IOF. Não sendo finalizada a pendência, a pena já definida é de suspensão dos direitos de membro, inclusive a participação em eventos da IOF.
Abaixo o texto original:
The IOF Office was asked to
once again contact the Brazilian federation and agree a timeline for payment of all
outstanding fees. If a timeline could not be agreed within 60 days, or was not upheld,
Council agreed that a suspension of all membership rights would come in effect,
including participation at WOC and other IOF activities.
Temos um momento importante para avaliar a situação da Orientação brasileira e trabalharmos tanto a união dos orientistas quanto as medidas necessárias para que nossa modalidade tenha um crescimento sustentável no cenário esportivo.
Em Brasília ocorreu, hoje, a II Etapa do CODF 2015. Com uma prova na modalidade Sprint, sob forte sol, mais de duzentos competidores povoaram uma região plana, mas complexa, dada a vegetação e os obstáculos existentes.
Abaixo o mapa original da H21E:
E aqui o mapa com minhas escolhas:
Alguns números importantes para se avaliar minha prova:
Distância da linha vermelha: 4,6 km;
Distância efetivamente percorrida: 6,6 km;
Tempo total: 37'44";
Tempo estimado: 30'00;
Pace: 5,42 min/km.
Destaco as seguintes escolhas que poderiam, aparentemente, resultar num tempo menor:
Rota para o ponto 1: poderia seguir pela estrada, pois a vegetação no ponto de ataque escolhido diminuiu a velocidade de progressão drasticamente;
Ponto 1 para o ponto 2: não foi feita a medição da distância para acessar a clareira que leva ao ponto 2. Como resultado, fiquei procurando o ponto na estrada acima acreditando estar na clareira. Tive que voltar e corrigir o erro, acumulando tempo e percorrendo grade distância. A progressão ao atacar o ponto foi lenta para recuperar a concentração e confiança no mapa;
Ponto 3 para o ponto 4: A vegetação foi roçada durante a semana tornando o terreno diferente do descrito nos mapas. Vale ressaltar que vários competidores levaram demasiado tempo para encontrar este ponto (dentro de um buraco). A vegetação que circunda o ponto, aparentemente, estava bem mais extensa que a retratada no mapa;
Ponto 4 para o ponto 5: Faltou atenção à errata informada antes da prova (vegetação alterada);
Ponto 7 para o ponto 8: Erroneamente não contornei a vegetação intransponível.
O resultado final será divulgado no sítio da FODF. Mas em conversas com outros competidores da H21E, foi possível concluir que seria possível completar o percurso em 30 minutos.
Para ver nosso álbum completo de fotos desta etapa, clique aqui.