segunda-feira, 1 de junho de 2015

Como usar o GPS para analisar seus percursos de Orientação

Olá, orientistas.

Hoje vamos tentar ajudar os colegas que, vez ou outra, me perguntam sobre como faço para incluir as rotas obtidas em GPS nos mapas de orientação. Aproveitando, vamos falar um pouco sobre programas de análise de rotas e o que a tecnologia oferece em termos de equipamentos para gravação de seus percursos. Como o assunto é extenso, vamos dividi-lo em partes. Boa leitura!

PARTE 1 - Programas de Análise e Dispositivos

Os principais programas de análise são o QuickRoute (somente para ambiente Windows) e o QDRoute (ambiente Mac). Basicamente, são programas que sobrepõem os dados de GPS no formato GPX ou TCX num mapa em formato JPEG.
QuickRoute. Fonte: http://www.matstroeng.se/
Como a maioria das organizações das provas aqui no Brasil não disponibilizam os mapas tal qual acontece em outros países, você pode: 1) escanear o mapa ou 2) fotografá-lo com o dispositivo que lhe convier.Já a obtenção da rota em GPS exige um aparelho que grave suas posições, preferencialmente, a cada segundo. Para tanto, você precisa de um GPS data logger. Que pode ser desde um GPS portátil para mapeamento, um aparelho de celular com esta funcionalidade ou um GPS de pulso daqueles utilizados por corredores e que, provavelmente, você já viu ou ouviu falar.
O GPS portátil para mapeamento não é prático para quem está se deslocando em velocidade, por questões óbvias. Além disso, as configurações para gravação da rota e cronometragem não são tão práticas como nos GPS de pulso. Os aparelhos de celular e smartphones carecem de proteção física.
Mas até os GPS de pulso possuem restrições. Uma delas é o preço, que gira em torno dos U$300,00 para modelos mais modernos.
Modelos de GPS de pulso. Fonte: http://www.dcrainmaker.com/
Cada fabricante tem suas especificações e, obviamente, suas vantagens e desvantagens. Preço, tamanho, fator de resistência a água, durabilidade da bateria, formato de gravação das rotas, comunicação com outros aparelhos, resistência a impactos, entre outros, são fatores básicos que devem ser observados por aqueles que desejam adquirir um destes equipamentos.
Vale alertar que a IOF restringe o uso de equipamentos gravadores de rota que possuem visor. Transcrevemos abaixo a regra 21.3 da orientação pedestre:

21.3 During the competition the only navigational aids that competitors may use or carry are the map and control descriptions provided by the organiser, and a compass. 21.4 Competitors may not use or carry telecommunication equipment between entering the pre-start area and reaching the finish in a race, unless the equipment is approved by the organiser. GPS data loggers with no display or audible feedback can be used. The organiser may require competitors to wear a tracking device.

Esta regra, embora clara, é alvo de discussão em vários fóruns de Orientação, pois o uso dos GPS de pulso, na opinião de alguns, não promove auxílios adicionais. Além disso, dizem, pode afetar a popularização da modalidade (aqui uma discussão sobre o assunto no Attackpoint: http://www.attackpoint.org/discussionthread.jsp/message_651965).
I-gotU GT600. Fonte: BHPhoto 
Numa avaliação simplista, os GPS de pulso poderiam, teoricamente, proporcionar vantagem adicional a seus usuários. Especificamente na medição de distâncias. Entretanto, opinião particular, na prática essa vantagem não se confirma, pois tanto a medição de distâncias quanto outras funcionalidades exigem demasiado tempo de observação do aparelho, além da precisão reduzida em se tratando de pequenas distâncias em terreno diverso. Além disso, o bom orientista há de concordar que a contagem de passos, a leitura de carta e terreno e a percepção espaço-temporal são habilidades incompatíveis com os atuais recursos tecnológicos existentes.
Particularmente, quando está explícito no regulamento da prova o cumprimento da regra 21.3, utilizo o GPS Data Logger I-gotU GT600. Compacto, a prova d'água, preciso e com duração de bateria excepcional. Holux, Qstarz, i-Blue e iTrail são exemplos de outras marcas disponíveis no mercado.

Nas outras provas e, principalmente, nos meus treinos, atualmente utilizo um Suunto Ambit2, o qual está sucedendo a contento um Garmim 405cx. Indiscutivelmente, os Garmim são os mais conhecidos e populares. Os maiores inconvenientes são quanto à pouca proteção à água (fator IPX 7) e quanto à resistência a choques, que, em nossa opinião, é de leve a moderada. Também estão na lista os Polar, Timex e, como dito anteriormente, os smartphones.

Quanto aos rastreadores (GPS Trackers), estes já estão em uso em provas internacionais, como o Jukola e o O-ringen. Com eles é possível fazer o acompanhamento do orientista ao vivo. A IOF vem trabalhando para introduzir o esporte na transmissão televisiva. O que é fator considerável para popularização e inclusão da Orientação como modalidade olímpica.
Aqui você pode assistir a um exemplo de transmissão de competição de orientação com rastreamento dos competidores:

E aí? Gostou do assunto?
No próximo post vamos falar mais especificamente sobre os programas QuickRoute e QDRoute.

Boas rotas \o/
orientistaemrota