domingo, 21 de fevereiro de 2016

Assembleia Geral 2016 - resumo e comentários

Olá, estimados orientistas.

Como de conhecimento, atendemos ao convite da CBO extendido a todos os orientistas e nos fizemos presentes na AG 2016. Participamos das discussões no que nos era cabível, tentamos defender alguns pontos de vista os quais consideramos relevantes para a comunidade orientista e registramos, para compartilhar com vocês, as principais decisões.
Abertura da Assembleia Geral
Sobre a AG, esta é a primeira assembleia com acesso livre e realizada na região central do Brasil. Segundo a CBO, o intuito é promover as assembleias de forma itinerante, passando pelas demais regiões do país. Contou com a presença de representantes das Federacões, Clubes e, também, de competidores. Estes últimos, em maioria, provenientes de clubes da FODF, devido à facilidade de acesso dos moradores da cidade. Não compareceram os membros ou representantes da diretoria anterior.
A pauta da AG, informativos quanto às entidades aptas a votar e divulgação atenderam a contento. Nos cabe comentar que esperávamos uma presença maior de orientistas, além daqueles com a função estipulada de votar as decisões. Entretanto, acreditamos que se a CBO envidar esforços para se aproximar mais dos seus filiados, as próximas AG terão mais ouvintes.
Grosso modo, podemos dividir a AG em três partes: prestação de contas e apresentação da situação financeira da entidade, apreciação de medidas administrativas para viabilizar o modelo de gestão sugerido e apreciação das propostas de alteração de regras “modeladas” pela nova Comissão de Regras da CBO.
Histórico das dívidas segundo Diretoria Financeira
A abertura da assembleia contou com uma apresentação do presidente em exercício, Sergio Mendes, versando sobre princípios de legalidade e aspectos relativos à importância da união de esforços para alavancar a entidade. Foi efetuada a leitura da ATA e, logo após, realizada uma apresentação da diretoria financeira, demonstrando os resultados de um trabalho, ainda não terminado, que busca compreender a real situação contábil e financeira da entidade. Foram demonstrados vários números, transações financeiras e, concluindo, que a forma de gestão financeira não atendeu a princípios básicos. Por exemplo, a entidade não possui comprovação do que foi feito com algumas centenas de SiCards adquiridos à época do WMOC2014. Também tentou-se elucidar questões relativas a valores devidos aos organizadores de eventos anteriores.
Os presentes debateram, ainda, sobre questões éticas envolvendo membros da diretoria e atividades desempenhadas na entidade.
A CBO apresentou compromisso firmado junto à IOF para investir no desenvolvimento da Orientação na América do Sul. A CBO informou, também, que está em processo de aquisição um novo sítio eletrônico. Mas para diminuir ainda mais os custos da entidade, a FORJ disponibilizou sua plataforma, sem ônus para as partes.
Momento de votação
Para facilitar o entendimento, vamos listar algumas das principais decisões votadas durante a AG:
  • Referendada a mudança da Sede da CBO para Brasília-DF;
  • A atual diretoria foi autorizada a efetuar cobrança judicial dos bens não entregues e recursos utilizados (pelos dirigentes passados) em benefício pessoal ou de terceiros, ou ainda, não autorizados pela assembleia geral;
  • Os membros da diretoria 2011/2014 ficam inelegíveis por 10 anos;
  • Formada uma comissão com três representantes voluntários (Federação, Clube e atleta) para solicitar à antiga diretoria resposta do paradeiro de bens e recursos de patrimônio da CBO;
  • A partir de 2017, o revezamento do CamBOr será substituído por prova na modalidade Sprint;
  • Decidida a criação do campeonato brasileiro de sprint bianual a partir de 2017, revezando datas com o SAOC;
  • A categoria Acompanhado passa a ser única, sem subdivisões;
  • Autorizada a participação de qualquer estudante, independente de filiação, no CBEUO;
  • Criada a CopaSUL e aprovados os torneios regionais já existentes;
  • Definido que alterações nas categorias N serão tratadas em momento oportuno (encontro das Federações);
  • As categorias Elite não poderão ter percurso comum entre homens e damas;
  • Decidida a redução de 50% de desconto na inscrição do CamBOr para os atletas carentes;
  • A taxa de anuidade passa a custar R$50,00, podendo ser paga com descontos de R$20,00 ou R$10,00 para pagamentos antecipados;
  • Retirados vários itens das RGOP que versavam sobre vestuário. Por exemplo, proibição de sapatilhas de atletismo, uso de traje alusivo à orientação, vestimenta da CBO, logos nas vestimentas e responsabilidade do árbitro sobre ferimentos decorrentes do uso de vestimenta;
  • Suprimido o item que padronizava os números de identificação CBO dos orientistas;
  • Calção e camiseta estão liberados nas provas tipo Sprint, salvo se houver disposição em contrário;
  • Para 2016, definida flexibilização para que o organizador possa ajustar os horários do revezamento e da cerimônia de abertura;
  • Decidido que em 2016, no revezamento por trios, as equipes formadas por atletas de Federações diferentes disputarão uma única categoria aberto e sem direito a premiação;
  • Decidido que critérios para definição de técnico de delegação serão discutidos na Conferência das Federações;
  • Decididos critérios mínimos para convocação de atletas para compor equipe nacional em eventos estrangeiros;
  • Decididas regras obrigatórias de divulgação prévia dos boletins das competições CBO. Inclusive informe com os números dos SiCard particulares;
  • Definidas atualizações nas regras sobre premiações. Inclusive, a não punição para aqueles que eventualmente se ausentem da cerimônia de encerramento;
  • Decidida a exclusão de parâmetros mínimos para as premiações (medalhas e troféus). O árbitro do evento passa a ser o responsável pela qualidade do material;
  • Não houve consenso quanto à formação e gerenciamento de um ranking CBO;
  • Decidido que as provas de Orientação de Precisão contarão inicialmente com duas categorias;
  • Os presentes concordaram em dar uma nova oportunidade para que a antiga diretoria apresente a prestação de contas da sua gestão;
  • Apresentada proposta de criação de 50 títulos de Colaborador Benemérito, como forma de aumentar a arrecadação da entidade e tentativa de equilibrar as contas;
  • Decidida a criação de taxa extra de 2 reais por atleta por clube em 2016 a partir de 1 de abril. Na Conferência das Federações será discutida para vigorar, a partir de 2017, substituição da anuidade por 10% do valor da inscrição, por atleta em competições CBO;
  • A Diretoria foi autorizada a efetuar cobrança judicial a um clube confederado que promoveu evento com uso de recursos da CBO sem a devida compensação;
  • Referendadas as criações das Comissões de Mapeadores, de Regras, de Cursos e a aceitação do convite feito pela IOF para que o atual presidente da CBO seja o representante brasileiro na Comissão da Juventude da IOF.
Documentos à disposição para consulta
Estas foram as principais decisões. Nos cabe, agora, tecer alguns comentários.
A forma de discussão misturou RGOP com Regras do CamBOr. Isso dificultou o entendimento e o debate em algumas votações.
Nos chamou atenção, e causou certo desconforto, a forma como a Comissão de Regras tratou a proposta de requisitos mínimos de qualidade para os objetos de premiação (troféus e medalhas). Vale lembrar que a ideia inicial, que inclusive propusemos, tem o propósito de se evitar que os orientistas sejam “premiados” com objetos que não condizem com o esforço dispensado para uma competição de Orientação, inclusive quanto aos deslocamentos longínquos. Portanto, solicitamos a todos que observem e fiscalizem as competições CBO. Caso sejam “premiados” com medalhas que considerem de baixa representatividade, de material sem qualidade ou afim, não deixem de se manifestar (inclusive ao árbitro do evento).

Comissão de Regras
Na mesma linha, julgamos negativa a retirada de critérios objetivos para os números CBO dos atletas em suas vestimentas. Também neste caso, ficou a critério da arbitragem definir se há ou não adequação às regras. A Comissão de Regras optou pela expressão "o número deve estar visível". A CBO se manifestou informando que enseja num futuro próximo que todos os números sejam fornecidos pela própria organização dos eventos - tal qual acontece nas corridas de rua ou nos eventos internacionais. Consideramos um retrocesso a adoção de avaliações subjetivas, mas respeitamos a decisão da assembleia e torcemos para que seja eficaz.
Sobre as alterações nas categorias, discussões acaloradas não permitiram que fossem alteradas as categorias N.
Também as discussões sobre ranqueamento dos orientistas não nos agradou. Nem tanto pela ausência de definição quanto aos critérios de pontuação e divulgação destes, mas por ouvirmos da CBO que o ranking "só tem validade para as categorias Elite". Ora, acreditamos que quase a totalidade dos orientistas que participam de competições desejam medir seus resultados e consultar de forma precisa seu rendimento em comparação aos demais competidores. Espírito esportivo em ambiente competitivo incide na busca por melhor rendimento. Classificação é uma das atividades das entidades responsáveis pelas modalidades desportivas e defendemos que a CBO deve sim elaborar metodologia para que qualquer filiado tenha condições de comparar seus resultados. 
Informes da Secretaria
Como podem observar, a assembleia foi um momento interessante e de decisões importantes. Chamou atenção a forma como os presentes se portaram diante da apresentação dos números relativos à condição financeira atual da entidade e os prováveis motivos que levaram à quebra das contas. A clareza das apresentações e o trabalho de busca dos motivos para o atual rombo financeiro não deixaram margem a dúvidas. Também foi positiva a exposição, para consulta, de todos os documentos que podem, pelo menos precariamente, comprovar os problemas contábeis advindos da gestão anterior. De forma muito direta, todos os presentes tiveram oportunidade para pesquisar inclusive as correspondências geradas com o intuito de se obter respostas para vários débitos e contas da CBO. Muitas questões relevantes merecem cautela até mesmo para comentar aqui em nosso sítio, tal a gravidade da situação. Portanto, sugerimos que você, leitor, entre em contato direto com o gestor de seu Clube ou Federação e pergunte sobre esta AG.
Documentos à disposição para consulta
Nos resta, agora, esperar pelos efeitos das decisões e, naturalmente, cobrar para que sejam cumpridas a contento. Várias das decisões serão aplicadas somente a partir de 2017, já que a primeira etapa do CamBOr 2016 já está com inscrições abertas. 
Também algumas discussões foram postergadas para a Conferência das Federações. Um ambiente provavelmente mais estéril. Caso seja possível, estaremos presentes.
Quanto à situação financeira da entidade, lembramos que não só o Conselho Fiscal, mas todos os filiados, seja pessoa física ou jurídica, têm responsabilidade moral e legal de auxiliar na fiscalização dos recursos e em sua correta aplicação. Se fossem obedecidas regras básicas anteriormente, bem provável não teríamos Clubes sem receber recursos que fazem jus, tampouco não deveríamos milhares de euros à IOF.
A ideia do Colaborador Benemérito, aprovada pela assembleia, também é vista com bons olhos. Uma forma simples, vantajosa para o portador do título e capaz de ajudar nossa Confederação a encontrar o equilíbrio financeiro. Sugerimos a todos conhecer a iniciativa (clique aqui e aqui) e, se possível, que adquira também um título. O orientistaemrota já é um dos Colaboradores Beneméritos, concretizando o apoio à ideia. 
Que todos os envolvidos tenham capacidade e discernimento necessários para conduzir a Orientação por rotas mais inteligentes e eficazes.
Participantes da AG 2016
Para acessar os documentos relativos a esta AG, clique aqui. Vale ressaltar que a ATA do evento será publicada pela CBO após o devido registro.

Boas rotas \o/
orientistaemrota