quarta-feira, 14 de junho de 2017

Caixa Brasília Outdoor Adventure - Corrida de Aventura também é para orientistas

Olá, estimados orientistas.

Participei de uma Corrida de Aventura (orientação+caiaque+rapel+oribike) aqui em Brasília no último final de semana (Caixa Brasília Outdoor Adventure - BOA) e fazer parte deste evento trouxe muitos aprendizados. Também várias reflexões quanto às inevitáveis comparações com nossas provas de Orientação.

"Quando decidi fazer corrida de Orientação, o objetivo inicial era me preparar para participar, no futuro, de uma corrida de aventura. Passados mais de 8 anos, me considero um orientista de fato. E só agora participei oficialmente da minha primeira atividade multi-esportiva".

Sabemos o quanto é complicado montar uma prova de Orientação. É necessário envolvimento de uma equipe grande e seus membros devem conhecer bem o esporte, para diminuir a possibilidade de erros. Além disso, a logística para montagem e desmontagem dos percursos requer gastos com transporte de equipamentos. O planejamento e execução da prova, em si, demanda bastante energia dos envolvidos. E tudo isso tem um custo.
Imaginem agora uma prova de Corrida de Aventura. O mapa não é tão detalhado quanto o nosso, que segue os padrões internacionais ISOM e ISSOM. Mas ainda assim, é necessário um mapa com as demarcações dos Pontos de Controle (PC). Como envolvem modalidades múltiplas, é necessária a oferta de pontos de transição. No caso da BOA, foram montadas transições para a canoagem, para o rapel e para o oribike (chamo de oribike porque a parte de mountainbike requeria, também, a navegação e busca pelos Pontos de Controle). E ainda há o fator tempo, pois é uma atividade de longa duração.
A organização da BOA providenciou os caiaques, remos, SportIdent (a apuração e materiais de orientação ali estavam mediante acordo com a FODF) e equipamento de rapel 'gratuitamente'. Já os coletes e parte do conjunto de primeiros socorros puderam ser alugados à parte. Bicicletas e demais equipamentos ficaram a cargo dos competidores. A Arena contou com frutas, hidratação, almoço (pago à parte) e amenidades ofertadas por alguns patrocinadores.
Quanto custou participar da BOA? Minha dupla pagou R$235,00 por integrante, já que perdemos o prazo com desconto. O número de participantes ficou limitado a 190. Creio que o limite tenha sido aplicado por conta dos equipamentos disponíveis e, também, por medida de segurança.
Esta é a segunda edição da prova (a primeira foi em 2016) e dessa vez houve uma participação maior de orientistas (uns dez inscritos, será?). Vale ressaltar que foram realizadas várias oficinas de orientação, de rapel e de canoagem. Também palestras com ícones da corrida de aventura e das suas sub-modalidades. As informações das atividades prévias foram devidamente divulgadas no site do evento. E assim a adesão à prova foi só aumentando, até que foram completadas todas as vagas.
Tudo isso dentro de um plano estratégico que, creio eu, se demonstrou eficaz. Eram claros nos rostos de todos que completavam a prova o reconhecimento e a alegria por fazerem parte de um evento tão bem cuidado. Ainda hoje leio os relatos nas redes sociais e o grau de satisfação dos participantes demonstra alto envolvimento e aparente garantia de que a próxima etapa terá igual ou maior sucesso; mais praticantes da modalidade; mais gente disposta a sair cedo de casa e se superar em uma prova que exige muito do físico, do emocional e do raciocínio.

Agora deixo algumas perguntas para refletirmos sobre melhorias para nossa Orientação: quanto pagamos por nossa participação em etapas? O que temos em troca? Como se dá o envolvimento do organizador com os "clientes"? Qual a oferta de atrativos (turísticos inclusive) existe na região das nossas competições? O que vamos fazer para que esses participantes da BOA se tornem orientistas efetivos?
Afirmo que muitos participantes da BOA nunca participaram de uma prova oficial com a chancela da CBO. Um dos motivos parece estar relacionado ao grau de abertura/flexibilidade para novos interessados.
Lá na BOA ouvi o relato de uma participante sobre a tentativa que ela fez para participar de uma prova da FODF. Em resumo, uma pessoa que praticava Orientação na Paraíba e que se mudou para Brasília. Procurou a FODF para participar de provas locais mas, infelizmente, a falta de informações objetivas e a 'obrigação' de ter que se filiar foram barreiras.
Até que ponto nossa formalística tem ajudado aqueles que querem aprender o esporte? Não vou longe: por que o valor de inscrição para não filiados é tão alto? Ora, se o evento já está montado e surgem pessoas interessadas em conhecer o esporte, não seria mais benéfico termos alguns mapas específicos para esses novos interessados (quiçá gratuitamente, com ajuda de voluntários)?
Bom, são muitas perguntas. Muitas respostas óbvias também. Espero que essas mesmas perguntas e respostas sejam um incentivo para que nossa rota guie a Orientação brasileira rumo à evolução.

Se você é um(a) leitor(a) que participou da BOA, tenho certeza que percebeu o quão importante é saber se orientar. Esteja certo(a) de que os orientistas estão de braços abertos para dividir os conhecimentos que adquirimos com a prática da modalidade.
Aos orientistas, tenho certeza que o pessoal da Corrida de Aventura também quer nos apresentar sua modalidade. Vamos lá!!!

Ah, abaixo o mapa com as rotas da minha equipe. Conseguimos conquistar um segundo lugar na Dupla Masculino SHORT. Nosso objetivo era tão somente completar a prova. Na Solo Masculino SHORT o Marcelo Cruz (COMIB) chegou em quinto. Já na modalidade Quarteto PRO, destaco a presença dos orientistas Pivoto e Danilo (COMIB) como integrantes da equipe campeã.


Clique na foto para ampliar e ver os detalhes. Notem que o primeiro trecho de caiaque foi bastante complicado, pois tivemos dificuldade em manter a proa. Foi um desgaste físico enorme já que o caiaque 'insistia' em ficar de lado. Também a rota entre os PC 3 e 4 contou com um erro de leitura de mapa. Mas depois nos recuperamos e conseguimos ultrapassar os concorrentes antes mesmo de chegarmos ao PC 9.
Para efetuar o log da rota, utilizamos o logger IgotU, que não possui tela nem comunicação (pois na corrida de aventura, assim como em provas de Orientação, não é permitido o uso de equipamentos de auxílio à navegação, exceto a bússola). Ah, esqueci de comentar que algumas equipes foram acompanhadas com o uso de rastreador GPS (na BOA foi utilizado o Spot) fornecido pela organização. Isso já acontece em algumas provas de Orientação lá fora.
Especiais agradecimentos à minha esposa e familiares (minha torcida oficial), ao companheiro de equipe Othon (COTi), ao Pedro Lavinas e seu staff, ao Marcelo Cruz (COMIB) e à Rennaly, que chegou ao pódio na Solo Feminino SHORT e motivou parte deste post.


Como sempre, não deixem de comentar aqui, por email ou nos canais facebook, instagram, tweeter ou youtube suas impressões sobre este post.

Boas rotas \o/
orientistaemrota