domingo, 15 de março de 2015

Análise de rotas CODF2015 I Etapa

Olá, estimados orientistas.

Depois de uma breve pausa, estamos de volta conversando sobre o que mais nos une: as corridas de Orientação. E nosso primeiro bate papo técnico é a apresentação do percurso H21E da I Etapa do Campeonato de Orientação do Distrito Federal, o CODF2015.
A prova foi, também, a abertura oficial do calendário de competições para os orientistas de Brasília. Precedida por um treino técnico da semana anterior, foi bem avaliada pelos competidores, os quais enfrentaram a vegetação típica do cerrado brasileiro.
Apresentações à parte, vamos à nossa análise técnica. Espero que lhes seja relevante! Lembrando que a metodologia consiste em responder três indagações em cada trecho analisado: 1) o que planejei? 2) o que fiz? 3) o que deveria ter feito?
Primeiramente, vamos dar uma olhada geral no mapa da competição:

Este é o mapa com as rotas. Note que a linha percorrida possui as cores verde (maior velocidade), amarela (velocidade baixa) e vermelha (parado ou quase parando). Se quiser visualizar no 3DRerun, clique aqui.

A distância total percorrida foi de 12,09km, num tempo de 1h35'30". O pace médio foi de 7,90 min/km. A meta era de completar o percurso num pace médio de 7,00 min/km. Minha tese é de que este é o pace ideal para perfazer as rotas sem prejudicar o raciocínio, em qualquer corrida de orientação tradicional. Mas a distância total efetiva não pode superar a distância descrita no mapa em mais de 20%. No caso em questão, percorri quase 4 km além dos 8,6 km de distância (linha vermelha). O que dá um total de 40% acima da distância descrita no mapa. Esta parte matemática parece um tanto chata, mas deve ser considerada em toda prova de orientação (tá!, pode parecer uma teoria maluca. Então, me ajudem a melhorá-la \o/). O quadro abaixo vai tratar somente dos trechos os quais percorri distâncias que considero desnecessárias:

Vamos aos trechos.
Rota do ponto 1 ao ponto 2:

O que planejei: usar as trilhas à esquerda obtendo maior velocidade de progressão e segurança no ponto de decisão.
O que fiz: atuei conforme planejado.
Como deveria ter feito: uma alternativa seria utilizar a trilha indistinta rumo à estrada (a) e, de lá, seguir pela outra trilha indistinta fazendo uma conferência no checkpoint (b). Neste caso, o orientista deve ponderar a precisão, a fadiga e a velocidade de progressão.

Rota do ponto 2 ao ponto 3:


O que planejei: usar as duas trilhas indistintas em direção ao ponto 3 como checkpoint; usar a trilha indistinta próximo ao ponto como ponto de decisão; considerando a trilha maior após o ponto como barreira de segurança.
O que fiz: azimutei em direção ao ponto em velocidade razoável. Percebi somente uma das duas trilhas indistintas antes do ponto. Na contagem de distância, cheguei até o local (c), mas não visualizei o prisma. Para corrigir, avancei até a trilha indistinta e me desloquei até a trilha em (d). Progredi em velocidade, passando do ponto de decisão e parando no (e). Numa nova tentativa de correção, me desloquei até o (f) e depois (g). De lá utilizei a trilha indistinta e encontrei o prisma.
Como deveria ter feito: deslocamento em menor velocidade, tomando a segunda ou terceira trilha indistinta como corredor até o ponto 3.
Tempo e distância extra: 7min e 700m.

Rota do ponto 6 ao ponto 7:

O que planejei: deslocamento utilizando as trilhas como corrimão. Utilizar a estrada e cerca como barreira de segurança caso não encontrasse o ponto na primeira tentativa.
O que fiz: segui conforme o planejado. Na primeira tentativa parei pouco acima do (j) sem sucesso. Voltei na trilha rumo ao (i) e azimutei novamente, chegando no (j), mais uma vez sem sucesso. Da estrada principal me desloquei até a trilha secundária (seta) e encontrei o ponto no (h). Há que se verificar com outros colegas se o ponto realmente estava no local adequado.
Como deveria ter feito: o planejamento inicial foi adequado. Deveria ter ido diretamente para a barreira de segurança ao não encontrar o ponto na primeira tentativa.

Rota do ponto 8 ao ponto 9:

O que planejei: seguir pelas trilhas em maior velocidade.
O que fiz: conforme o planejado.
Como deveria ter feito: a outra alternativa seria azimutar conforme a seta vermelha, com erro proposital para a direita, usando a estrada como corrimão.

Rota do ponto 10 ao ponto 11:


O que planejei: No azimute, seguir em direção à trilha (k) e atacar o ponto 11.
O que fiz: Iniciei o deslocamento em velocidade. Achei que a trilha estava antes da sua real posição. Quase houve um contra-azimute.
O que deveria ter feito: Proceder conforme o planejado, efetuando a contagem de passos (distância).

Rota do ponto 12 ao ponto 13:

O que planejei: No azimute, usar a segunda trilha como ponto de ataque para o ponto 13.
O que fiz: Ao chegar na segunda trilha, faltou confiança e me desloquei para seu lado esquerdo. A falta de concentração me fez seguir mais adiante. Ao perceber a falha, retornei para o ponto 13.
Como deveria ter feito: seguir conforme o planejado. Outra alternativa seria utilizar as trilhas, optando pela segurança no deslocamento.
Tempo e distância extra: 3min e 340m.

Rota do ponto 13 ao ponto 14:

O que planejei: Seguir pelas trilhas, obtendo maior velocidade.
O que fiz: Houve um momento de desconcentração na metade da rota planejada.
O que deveria ter feito: Seguir no azimute da seta azul utilizando a estrada (L) como ponto de checagem. Depois, seguir na direção do ponto 14 utilizando a segunda estrada como segurança.


O restante do percurso foi realizado a contento. Observem que ao não aplicar princípios básicos da Orientação, foram perdidos segundos preciosos. Não fossem os vinte minutos extra, terminaria na segunda colocação. Também a concentração deve ser melhor trabalhada, para que o poder de decisão seja mais rápido e eficaz.

Mais fotos deste evento estão disponíveis clicando aqui.

O próximo desafio será o Troféu Cerrado de Orientação, no dia 22 de março, na cidade de Cristalina-GO.

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Boas rotas \o/
orientistaemrota