Quem estiver em Brasília pode aproveitar o aplicativo MapRun6 e realizar um percurso de corrida de Orientação no Parque de Águas Claras. O parque está a 25 minutos da capital, na cidade satélite de Águas Claras. Inclusive com acesso via transporte coletivo (metrô ou ônibus).
Você pode realizar o percurso utilizando somente o seu telefone celular ou imprimir o mapa em formato .pdf, que está disponível clicando aqui.
E para saber mais sobre o aplicativo, tem post aqui no blog e uma live muito interessante sobre o primeiro uso em evento oficial do MapRun aqui no Brasil.
É com enorme alegria que trago uma ótima notícia: agora temos o status de administrador da pasta "Brazil" no aplicativo de celular MapRun6.
Isso significa que podemos explorar todas as funcionalidades do aplicativo. Se você ainda não o conhece, vou explicar direitinho como utilizá-lo. Se já o conhece, saiba que esta versão 6 possui novidades.
O que é o MapRun6: é um aplicativo especificamente desenvolvido pelos australianos para os orientistas. Basicamente ele recebe um mapa georeferenciado e um percurso com as coordenadas geográficas. O aplicativo compara a exata posição do aparelho celular com as coordenadas de cada ponto do percurso. Se for um percurso em linha (ordem exata de cada ponto a ser percorrido), ele vai verificar se o aparelho celular passou por cada um dos pontos na ordem correta. Se for um percurso fazenda ou rogaine, aplicam-se as regras específicas de cada um desses modelos de pontuação.
Você pode utilizar o MapRun6 individualmente. Ou seja, pode fotografar e georeferenciar um mapa seu, ou simplesmente colocar uns pontos na imagem de satélite da área na qual você quer praticar a orientação. Entretanto, os resultados ficarão disponíveis somente para você, no seu aparelho.
Mas se você acessar um dos percursos que estão disponíveis diretamente no aplicativo, você poderá verificar seus resultados e comparar com os de outras pessoas que fizerem aquele mesmo percurso. Daí pode ser uma pista permanente de corrida de orientação (PPO) ou uma competição simples. Fizemos uma live específica para apresentar como foi o primeiro uso do MapRun6 em competições aqui no Brasil. O link está aqui embaixo e vale muito a pena assistir ao vídeo.
Bom, então, se você se interessou, o primeiro passo é entrar na loja de aplicativos do seu aparelho celular e baixar o aplicativo MapRun6. Ele é gratuito e os links estão aqui na página oficial do aplicativo.
Agora que você instalou o aplicativo, autorize ele a acessar sua localização e a emitir as notificações. Preencha seus dados corretamente. Seu nome, por exemplo, será exibido nos resultados das pistas que você participar. Portanto, se for em competição, é importante que seja o mesmo da sua inscrição.
Agora você tem uma opção bem interessante que é o botão QuickStart. Ele surge na tela após você clicar no círculo verde com 3 linhas. Esta opção te permite criar um próprio percurso. Também há a opção de criar um mapa kmz com base no georeferenciamento por 3 pontos.
Mas a melhor parte é você clicar no botão de selecionar eventos e buscar algum disponível. De início já temos mapas em João Pessoa - PB e em Brasília - DF. Outros estados já demonstraram interesse e vão disponibilizar percursos muito em breve.
Após selecionar o percurso que for mais conveniente, basta clicar no botão Go to Start. Observe que o aplicativo vai abrir o mapa (caso não tenha restrições) e informar a condição do sinal de GPS.
E para iniciar seu percurso basta você seguir até o triângulo de partida. A partir daí começa a contagem de tempo e o MapRun6 vai registrar sua passagem em cada um dos pontos do mapa. Ao passar pelo duplo círculo será finalizado seu percurso e o aplicativo vai fazer a transmissão do seu tempo para o sistema.
Bom, basicamente é isso. Há muito mais recursos que podemos explorar com o MapRun6. Por exemplo, lá nos resultados do City Race João Pessoa é possível acessar o Rout Gadget e ver as rotas de todos os competidores. Também há um link específico para o SplitsBrowser. Dê uma olhada e veja como são interessantíssimas essas possibilidades!
Falando em possibilidades, o aplicativo pode muito bem ser utilizado como sistema de cronometragem e rastreamento em corridas de aventura, corridas de rua, MTBO etc.
Na live cujo link está no início deste post, temos um debate interessante sobre os principais benefícios e algumas dificuldades no uso do MapRun6. De muito positivo: não há a necessidade de se colocar os prismas no local de prática; há uma exigência mais apurada para o orientista, já que ele tem que chegar no objeto sem aquela facilidade que é ter um prisma no seu campo visual; não há necessidade de gastos com sistemas de apuração, já que o sistema de cronometragem já está embutido no aplicativo; você tem o seu resultado em tempo real e ainda pode comparar com outros que fizeram o mesmo percurso; dá para criar uma disputa parecida com aquelas do Strava, já que se o percurso for liberado, tipo Pista Permanente, você pode tentar superar algum orientista, ou ser superado; por falar em Strava, o MapRun6 tem integração com este outro aplicativo. E quanto aos aspectos que entendo carecerem de mitigações temos: para aproveitar o MapRun6 é obrigatório o uso de um aparelho celular ou relógio Garmin compatível; carregar um aparelho contigo pode exigir uma cinta, ou braçadeira ou algum outro acessório; em caso de chuva ou muito suor, pode haver algum dano ao aparelho; a localização via satélite dos celulares, embora já bastante confiável, pode ser menos precisa em alguns aparelhos.
Portanto, é importante avaliarem o uso do MapRun6 em competições oficiais de maior escala. Tenho comentado com outras pessoas que ele não veio para substituir os sistemas tradicionais de apuração. Mas sua chegada torna o ambiente de orientação mais transparente, democrático e divertido.
Informes mais técnicos podem ser esclarecidos nos foruns disponíveis no site do aplicativo ou diretamente comigo. O objetivo é que tenhamos muitas pistas treino espalhadas por todo país, com acesso livre a todos os orientistas. Além disso, tenho certeza que teremos muitos eventos utilizando este novo modo de curtir a corrida de Orientação.
Um detalhe importante: os desenvolvedores do aplicativo deixaram claro que existem custos para a manutenção do sistema. Então, caso você tenha interesse em ajudar financeiramente, entre na página do MapRun6 e faça uma doação. Eles aceitam cartões de crédito e paypal.
Já se você quiser explorar os recursos e criar seus próprios treinos, por exemplo, clique aqui para mais informações. Esta página é especificamente destinada aos novos usuários do app. Você pode criar atividades de orientação no seu bairro, num parque da sua cidade, numa escola etc.
Se você já utilizou o MapRun6, conta aqui nos comentários o que achou da experiência.
Ah, gostaria de deixar aqui registrados meus agradecimentos aos desenvolvedores do MapRun6, que sempre estão prontos para nos auxiliar, aos amigos que se dispuseram a testar o aplicativo, e a todos os orientistas que estiveram envolvidos no I City Race João Pessoa, realizado no dia 24/10/21. Não só o City Race, mas todas as pessoas que organizaram e participaram entraram definitivamente para a história da Orientação.
Ao ler sobre as medidas que várias modalidades desportivas estão tentando implementar para mitigar o risco de contaminação não só para os atletas como para os expectadores e a comunidade envolvida, acabei refletindo sobre a grande oportunidade que temos nas mãos.
Se você se incomodou com esse primeiro parágrafo, não se preocupe. Essa era uma das intenções. Mas não apenas provocar. Vou apresentar algumas informações para que criem o seu referencial e, por conseguinte, as contribuições para utilizar na própria modalidade.
Nos esportes de arena (futebol, vôlei, basquete, MMA, tênis etc.) todos os protocolos que estão sendo criados buscam mitigar a possibilidade de contágio por meio de uma série de testes para os atletas e a realização dos eventos sem público. Exemplos que deram certo, e que deram errado, não faltam. Já houve contaminação em massa envolvendo um torneio de tênis promovido por Novak Djokovic; já houve partida de futebol cancelada minutos antes devido aos resultados de testes de laboratório; já vimos que não é possível realizar uma corrida de rua nas atuais circunstâncias.
Praticamente todas as modalidades desportivas tiveram os eventos de seus calendários 2020 cancelados ou adiados.
Nos esportes outdoor (corridas de rua, de aventura, skate, mtb etc.) as propostas de protocolos acabam sendo mais complicadas quando comparadas com os eventos que são realizados em espaços controlados (quadras, estádios, arenas, piscinas etc.). Apesar de serem atividades ao ar livre, em sua grande maioria, justamente o livre acesso e a falta de controle total do que é proposto acaba tornando mais difícil garantir que os participantes não serão contaminados.
Mas vamos falar mais especificamente da corrida de Orientação, remetendo à oportunidade citada no primeiro parágrafo.
Como todos sabem, a corrida de Orientação, generalizando, é uma modalidade realizada ao ar livre (não vamos tratar aqui do indoor-orienteering) e cujos competidores possuem horários de partida em pequenos blocos. Essa breve definição já nos permite inferir duas vantagens em relação a várias outras modalidades desportivas: realização em áreas abertas e largadas com fluxo que pode ser definido.
Alguns aspectos ainda precisam ser mitigados quando tratamos das possibilidades de contágio durante nossas atividades, sejam treinos ou competições: o fluxo de pessoas nas arenas, o contato entre atletas nos pontos de controle (prismas) e o comportamento dos próprios atletas no pós-prova (reuniões, debates sobre mapas etc).
Algumas atividades e experiências no âmbito da corrida de Orientação já apresentam soluções para lidar com os riscos de contaminação. Dentre elas, o uso de EPI para a equipe organizadora do evento; a eliminação de pontos de concentração pré e pós-prova; maior intervalo entre as partidas; menor número de atletas por bateria de largada; fim dos espaços destinados a alimentação, apuração, banheiros e fotos; ausência de premiação.
Importante analisarmos tecnicamente todas as ações propostas em em andamento que visam o retorno das atividades externas da corrida de Orientação.
Faz algum tempo, versei aqui sobre a gestão de riscos na modalidade. Inclusive apresentei uma tabela a qual foi copiada e é utilizada até hoje por muitos organizadores. Bom, a gestão de riscos possui alguns princípios os quais vou resumir na sequência abaixo:
identificar os perigos;
realizar uma análise das consequências advindas dos perigos, em termos de probabilidade e severidade;
atuar frente aos riscos isolando, eliminando ou mitigando as causas;
avaliar se as medidas adotadas foram eficazes e retroalimentar o sistema.
Transpondo essa lógica de ações na corrida de Orientação considerando o cenário atual de pandemia e os números elevados de contaminação e óbito em nosso país, podemos considerar o seguinte:
Perigos:
presença de atletas contaminados no local de treino/prova;
bases de controle;
banheiros químicos;
áreas de concentração;
ausência do uso de epi (máscaras);
reuniões pós-atividade no local de treino/prova;
uso de SiCard ou cartões de picote;
Riscos:
atletas contraem a Covid19 no local de treino/prova;
atletas portadores sofrem complicações durante o treino/prova;
Ações frente aos riscos:
eliminar os pontos de concentração;
uso do SIAC ou outro meio sem contato;
aumento do intervalo entre partidas;
uso obrigatório de máscaras na arena;
EPI para toda equipe de organização;
ampliar áreas de estacionamento;
envio de informes de conscientização sobre a Covid19;
diminuição do número de treinandos/competidores por pontos de controle (gestão dos percursos);
incentivar o uso de SIAC ou outros equipamentos sem toque;
envio de resultados via web;
realização de eventos remotos pré e pós atividades (lives, videoconferências etc.).
Para concluir, é imprescindível que os organizadores desses eventos respeitem as regras locais definidas pelas autoridades sanitárias.
Voltando, então, à afirmação de que a pandemia é uma grande oportunidade para nosso esporte, lembro a vocês que os demais tipos de corrida, cuja partida é em massa, dificilmente poderão adotar os mesmos protocolos.
É aí que vejo que podemos conquistar os corredores de rua, de trilha, de montanha, os ciclistas de asfalto, de MTB, os corredores de aventura e todos aqueles esportistas que não querem ficar parados ou que estão ampliando os horizontes para novos desafios.
Precisamos criar meios de divulgar nosso esporte e o quão ele pode ser seguro mesmo em um período tão complicado. Claro que é fundamental que essas medidas sejam debatidas e criticadas, na busca de eficiência e eficácia.
E por falar em meios de divulgação, desde o último post já foram realizadas mais de 35 lives tratando do nosso esporte. Tem desde análises de rotas até lives de premiação das etapas do CamBOr Virtual. Se você ainda não assistiu, passe lá em nosso canal no YouTube e aproveite.
Se puder, deixe um comentário. Gostaria de saber sua opinião sobre o assunto ou se você está participando de alguma atividade externa de orientação durante a pandemia.
Seja inteligente! Pratique a corrida de Orientação.