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quarta-feira, 15 de junho de 2016

CODF 2016 III Etapa - Análise de Rotas e fotos

Olá, estimados orientistas.


No dia 12 de junho ocorreu a III Etapa do Campeonato de Orientação do DF, o CODF 2016. Dessa vez a prova foi sediada na Fazenda Ema, situada no município de Luziânia-GO. A organização do evento ficou por conta do Clube de Orientação Tiradentes, o COTi.

Para esta prova, elaborei e enviei à organização um Plano de Resposta a Emergências. Ficou a critério sua adoção. O documento pode servir de guia para outras provas no Brasil. Caso algum leitor queira auxílio na gestão de riscos em um evento de Orientação, entre em contato em um dos nossos canais, ou no email orientistaemrota@gmail.com.

A área escolhida para esta etapa apresentava aproximadamente 50% de reflorestamento de eucalipto, 40% de cerrado desmatado e 10% de cerrado nativo. Boa parte do terreno era cortada por ravinas e valas que tornaram o desafio ainda mais interessante. Foi preciso muita atenção para não se perder nos acidentes geográficos nos percursos de grau A ou E.
Os primeiros colocados da categoria Homens Elite foram, respectivamente, José Blanco (1:04), André Pivoto (1:06) e Roberto Carrijo (1:07). Já na Damas Elite, as primeiras colocadas foram, em sequência, Michelle Caldas (1:45), Lidiane Gomes (2:15) e Karen Cristine (2:19).

Vamos à Análise de Rotas:

O mapa é da categoria H21E. Lembrando que meu objetivo é terminar uma prova de Orientação com um acréscimo de, no máximo, 20% além da distância da linha reta, num pace (tempo para percorrer um quilômetro) de 7'/km.
A distância em linha reta da categoria H21E foi de 7,9km. Terminei na quarta colocação com o tempo de 1h10' e 9,65km percorridos. O primeiro colocado levou 1h4'. Portanto, meu pace médio foi de 7,25'/km. Quase dentro da velocidade que considero ideal para que um orientista amador vença uma prova E ou A. A variação de distância também foi um pouco maior que os 20% da meta. Mas poderia ter sido bem menor, inclusive por conta das características da vegetação, conforme explicado anteriormente.

Para cada rota analisada intenciono responder às seguintes perguntas: o que planejei? O que fiz? e O que deveria ter feito?

Nos gráficos das rotas, quanto mais vermelho, menor minha velocidade. As tabelas ao lado direito nas figuras indicam, entre outros, o percentual de distância além do mínimo necessário para se alcançar determinado ponto.

Abaixo o mapa com minhas escolhas (clique para baixar):


De imediato já é possível perceber que tive dificuldade em três rotas específicas: do triângulo para o ponto 1, do ponto 6 para o ponto 7 e do ponto 12 para o ponto 13. As demais rotas foram executadas conforme o planejado e com respectivos tempos adequados.

Rota para o ponto 1



O que planejei: a partir do triângulo, seguir em azimute para a vala, indo de encontro à árvore de destaque.
O que fiz: segui conforme o planejado margeando a vala. Ao não encontrar o ponto, continuei descendo no mesmo sentido da vala, parando nas proximidades da linha de alta tensão. Ao perceber o erro, retornei margeando a vala pelo seu lado direito. Observei a árvore de destaque e, não encontrando o prisma, retornei até o início da vala. Somente neste momento percebi que efetuei uma leitura equivocada do mapa e da sinalética, pois o ponto estava no interior da vala. Corrigi o erro de leitura e encontrei o ponto.
O que deveria ter feito: leitura adequada do mapa e da sinalética. Utilizar a árvore de destaque como ponto de ataque e, de lá, chegar ao ponto 1.

Foram percorridos mais de 400m além do necesssário para encontrar o ponto 1. Na ocasião, desperdicei 4' e fui alcançado pelo concorrente que largou 5' após minha partida. Portanto, desde este ponto seguimos em perseguição até o ponto 15, quando consegui me distanciar e diminuir para 3' o prejuízo para este competidor. No jargão do orientista, quando dois ou mais competidores da mesma categoria correm juntos, diz-se que eles estão "encarneirados".

Rota do ponto 6 para o ponto 7:


O que planejei: aproveitar as curvas de nível, passando pela primeira ravina e descer em direção ao ponto a partir da segunda ravina, a qual foi planejada como sendo meu ponto de ataque.
O que fiz: segui conforme o planejado, mas ao reduzir a velocidade já após o ponto de ataque, não encontrei o ponto e optei por seguir meu oponente. A partir daí questionei meu planejamento e acreditei estar na ravina adequada, mas em dúvida se na altura coerente. Passei a seguir o oponente o qual percebeu uma colina como ponto de ataque. Daí fizemos uma orientação fina até encontrar o ponto, que estava posicionado dentro da fenda na ravina.
O que deveria ter feito: seguir conforme o planejado mas acrescentando a pequena colina como margem de segurança. Não abandonar a contagem de distância e direção em detrimento de seguir o oponente.

Foram desperdiçados aproximadamente 5' em uma distância desnecessária de mais de 370m.

Rota do ponto 12 para o ponto 13


O que planejei: seguir em azimute até o ponto 13, sem perder o contato visual com o oponente.
O que fiz: segui conforme o planejado. Como o oponente tomou a ravina mais à direita, fiz o mesmo percurso. Para corrigir, subi parte da ravina e voltei para um ponto da rota inicial. Depois, desci até perceber que o oponente havia encontrado o ponto 13.
O que deveria ter feito: seguir em azimute para o ponto 13, ignorando a rota equivocada tomada pelo oponente.

Percorri, além do necessário, aproximadamente 270m em 3'. Somando os três erros, foram mais de 1000m e 12' gastos inadequadamente.

Lições aprendidas: mesmo em situações de encarneiramento, é necessário manter a concentração para  não abandonar as técnicas primordiais de azimute e contagem de distância. Vale, ainda, observar que os primeiros metros de prova podem servir para ampliar o foco e a concentração.

E você? O que achou desta análise?
Não deixe de comentar. Sua participação é importante para ampliar o conhecimento da comunidade orientista.
Clicando aqui você acessa nosso álbum de fotos desta III Etapa. Veja se foi clicado.
Também não deixe de visitar o álbum de fotos do atleta André Pivoto, disponível aqui.

Boas rotas \o/
orientistaemrota

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Utilizando o GPS para analisar seus percursos de Orientação - Tutorial do QuickRoute

Olá, estimados orientistas.

Faz algumas semanas conversamos sobre a utilização dos dispositivos de GPS nas corridas de orientação. Apresentamos alguns dos mais comuns relógios e trackers e, também, a legislação da IOF sobre o tema. Agora vamos falar de um dos programas mais utilizados para fazer análises das rotas obtidas a partir dos GPS. Boa leitura \o/

O que você vai precisar:
Programa QuickRoute (somente para windows);
Imagem do mapa em formato .jpeg, .jpg, .gif, .png, .tif ou .tiff;
Rota extraída do seu GPS em formato .tcx ou .gpx (o programa extrai direto dos dispositivos garmin, desde que instalados os plugins necessários).
Para adquirir o QuickRoute, acesse o sítio oficial:

No momento não há disponível o idioma português, mas entendendo a lógica do programa, fica mais fácil utilizá-lo. Basicamente o QuickRoute sobrepõe a rota obtida pelo GPS num mapa digitalizado. Permite, ainda, que sejam feitos alguns ajustes para que o mapa final fique mais fidedigno. Sabendo disso, vamos ao tutorial. Lembrando que vamos lidar apenas com a forma básica de utilização do programa. Usuários avançados podem não encontrar utilidade neste tutorial.

1) Após instalar o programa, abra-o e você terá a seguinte tela:


O menu principal tem as funções File (arquivos), View (visualizações), Tools (ferramentas), Settings (ajustes) e Help (ajuda).




   
Para criar um novo mapa com rota há duas opções: clicar em File e depois em New; ou clicar diretamente no ícone de página em branco. Ambas as formas resultam na seguinte tela:

2) A tela New document é a que vai receber o mapa e a rota do GPS.


Na parte Map Image (imagem do mapa), clique em Browse (procurar). Abrirá o gerenciador de arquivos do seu computador e você deverá informar qual é o mapa a ser inserido no QuickRoute.
Na parte Route (rota), note que existem duas opções: From GPS device (a partir de um dispositivo GPS); e From File (a partir do arquivo). Caso você tenha um dispositivo Garmin, o arquivo pode ser extraído diretamente, bastando apenas que esteja já conectado ao computador. Caso você tenha extraído o arquivo para o computador, clique em Browse (procurar). Abrirá o gerenciador de arquivo do seu computador e você deverá informar qual é a rota do GPS a ser inserida no Quick Route.
Também é importante observar a opção File Format (formato do arquivo). Note que inicialmente ela está na opção Gpx. Mas ela pode ser alterada para o formato Tcx. A opção escolhida será aquela coerente com o formato do arquivo que você extraiu do seu dispositivo GPS.
Na parte Person (pessoa), você tem a opção de inserir seu nome ou alguma informação que identifique quem é a pessoa que fez a rota informada.
DICAS: 1) Ao salvar a imagem do mapa e o arquivo do GPS, utilize nomes similares; 2) utilize uma pasta específica para os mapas e uma específica para as rotas GPS. Na próxima utilização, o programa buscará os arquivos inicialmente nestas pastas.
Preenchidos os três campos acima, clique em OK. O programa apresentará a seguinte tela:


Nem sempre o programa sobrepõe a rota corretamente sobre o mapa. Nestes casos, é necessário promover os ajustes. Isto se deve, principalmente, a diferenças entre a escala do mapa, o tamanho da imagem e, claro, o posicionamento real do mapa e da rota gravada no GPS.
3) Note que a barra superior agora apresenta outros botões e menus. Vamos nos ater aos mais importantes para obtenção do mapa com rota.


Na primeira linha de ícones existem três setas. A primeira delas serve para movimentar o mapa como um todo. A segunda, que em nosso exemplo já está selecionada, é a que vai nos permitir ajustar a rota sobreposta ao mapa.
Selecione-a e verifique no mapa aonde estão localizados o início e o fim da sua rota.


Clique sobre estes pontos (início ou fim da rota) e, mantendo o clique, ajuste conforme a realidade do que você fez na prova. Os pontos ajustados ficarão fixos no posicionamento escolhido por você. Normalmente, basta o arraste de dois pontos da rota para que todo o mapa fique ajustado. Caso isso não ocorra, você pode escolher outros pontos da rota para promover o ajuste. Basta clicar, segurar e arrastar conforme lhe parecer adequado.
DICAS: 1) se você marcar o lap em seu dispositivo GPS, sendo este da série Forerunner, em cada prisma alcançado, esta informação será visualizada no QuickRoute, facilitando o ajuste da rota no mapa. Cada lap é representado por um pequeno círculo vermelho ao longo da rota; 2) Existem determinados pontos da sua rota que são fáceis de identificar. Por exemplo, ângulos agudos, contornos de estradas ou grandes deslocamentos em linha reta. Utilize-os como guia. Observe sua rota e utilize aqueles pontos os quais você tem certeza da exata localização no mapa. Importante tentar utilizar somente dois pontos para o ajuste. 

4) Terminados os ajustes, selecione a seta de movimentação/análise do mapa 
Note que a rota passou a ter uma coloração que vai do verde ao vermelho.

Na segunda linha de ícones estão, basicamente, os botões para ajustes da forma de visualização da rota.

O primeiro quadro de seleção está com a opção Pace, que é a medida de quanto tempo se leva para percorrer um quilômetro, expressa em min/km. O segundo quadro faz a gradação por cores do menor para o maior pace obtido. Como este tutorial é apenas uma instrução para utilização simples do programa, vamos aos botões que ajustam a largura da representação gráfica da rota e a espessura de suas bordas. São os botões 

Você pode alterá-los da forma que melhor lhe agradar o resultado final. E também a barra que regula a transparência da rota 

Basta deslizá-la conforme melhor lhe convier.
Abaixo dois exemplos de como pode ser a visualização final ajustando estes três botões (observe a diferença de valores):



5) Se você chegou até aqui, é porque conseguiu inserir a imagem de um mapa e uma rota extraída do seu dispositivo GPS no programa QuickRoute. Também fez os devidos ajustes da rota e configurou sua largura, bordas e transparência para facilitar a visualização sobre o mapa.
Agora é o momento, portanto, de gravar seu arquivo e exportar a imagem para compartilhar seus feitos. Lembrando que o próprio QuickRoute possui excelentes ferramentas para análise (assunto para um post exclusivo).
Clique no ícone de gravação ou em File, depois Save. Será gravado um arquivo em formato .qrt, que é específico para o programa.
Para exportar uma imagem do mapa com a rota, clique em File, Export, depois Image. Os próximos passos são auto-explicativos e seguem o padrão de gravação de qualquer arquivo em computador.


Pronto! Você agora pode compartilhar com os demais orientistas o seu desempenho.
Se restar alguma dúvida, pode comentar aqui mesmo em nosso site ou enviar um email.

Boas rotas \o/

orientistaemrota